É Natal no mundo de minha mão,
Meu enfeite de apontar o desengano,
Fui levar o lixo da emoção no contentor das ilusões
E ri-me muito como tolo ou criança perdida,
Em busca de nada encontrei-me carente,
Sem símbolos, marcas, sem códigos, nada,
Respiro o Natal como tantas vezes morri na madrugada negra de orvalho,
O presépio é um corpo que tem sombras
E ainda faz frio no amor de gente que se ama,
A serenata desenfreada no peito
Lembra que tenho um isqueiro com que acendo um cigarro,
Mais rotinas desiguais, mais solidão,
Não sei ler, não me sei,
A tabuada, um isolamento e uma imagem,
Sempre a voz que segreda um tema de luz como vagabundo,
Coisas e reclames e a parede é infinita na morada
Que desiste, resiste,
Tempo de eléctricos em Lisboa,
Tempo de ócio desamparado,
Esta manhã desapareço.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Tosco Vento
Nesta viagem como despedir-me de ti
E um soluçar embaraçado como cinema
De uma matine sem ninguém
Como se as cadeiras ocupassem os corpos imutáveis
De escuro e som numa parede
E ver sempre o momento,
O desconhecido do silêncio,
O suburbano, o enrugar de pele da tela e o écran táctil
E saber que é vão como desconforto quando acaba o filme
Como se as cadeiras sempre estáticas
E as emoções serem frias fossem um gemido de dor.
Não troco a ciência por ficção se me trocarem o motivo
De sentir, sempre eu no corpo de alguém
E esta doença que persegue o tempo,
Aguarelas e um fundo negro de queixume denso
Que respiro nas vértebras cansadas,
As velas de esperança guiam-me no fio de invisível
Domínio de sopro de navio
Que arde em tosco vento.
E um soluçar embaraçado como cinema
De uma matine sem ninguém
Como se as cadeiras ocupassem os corpos imutáveis
De escuro e som numa parede
E ver sempre o momento,
O desconhecido do silêncio,
O suburbano, o enrugar de pele da tela e o écran táctil
E saber que é vão como desconforto quando acaba o filme
Como se as cadeiras sempre estáticas
E as emoções serem frias fossem um gemido de dor.
Não troco a ciência por ficção se me trocarem o motivo
De sentir, sempre eu no corpo de alguém
E esta doença que persegue o tempo,
Aguarelas e um fundo negro de queixume denso
Que respiro nas vértebras cansadas,
As velas de esperança guiam-me no fio de invisível
Domínio de sopro de navio
Que arde em tosco vento.
Processo de Tudo
As palavras gastas e melancolia do emergir
Neste mundo exausto, cáustico de pressentir
E se vou algo diz não
E se atinjo o alvo quem faz de idiota sou sempre eu,
A vontade indómita de reagir,
Abstracção de textos e sou eu uma cópia de vapor,
Presságios de perfume e tez de palidez que emite frequências,
Posso falar, acordes de sintonias,
Papéis em três actos
E as pancadas de Molière,
O som mudo de pele e um comboio de náufragos
E coletes já sem vida
No desatino de comer uma lata de atum
Como ceia de Natal dos pobres,
As estações são um frenesim de multidão,
Ninguém me vê,
Ninguém acende a minha vela de aniversário
Que contente sopro todas as noites
Como ilusão de ter sido dia como antigamente,
De ter sido eu que não sei quem de fogo queimo o casaco
E constrói-se o tempo das almas,
O tempo dos sacrifícios e pianos enjeitados,
Uma criança já não é criança
E um corpo é um cabide doentio que se prende num armário descabido,
Nada é talvez o processo de tudo.
Neste mundo exausto, cáustico de pressentir
E se vou algo diz não
E se atinjo o alvo quem faz de idiota sou sempre eu,
A vontade indómita de reagir,
Abstracção de textos e sou eu uma cópia de vapor,
Presságios de perfume e tez de palidez que emite frequências,
Posso falar, acordes de sintonias,
Papéis em três actos
E as pancadas de Molière,
O som mudo de pele e um comboio de náufragos
E coletes já sem vida
No desatino de comer uma lata de atum
Como ceia de Natal dos pobres,
As estações são um frenesim de multidão,
Ninguém me vê,
Ninguém acende a minha vela de aniversário
Que contente sopro todas as noites
Como ilusão de ter sido dia como antigamente,
De ter sido eu que não sei quem de fogo queimo o casaco
E constrói-se o tempo das almas,
O tempo dos sacrifícios e pianos enjeitados,
Uma criança já não é criança
E um corpo é um cabide doentio que se prende num armário descabido,
Nada é talvez o processo de tudo.
Imaginar
Acendo a luz, que vejo senão sombras,
A labareda de imaginar, cosmos pacífico,
Três pianos de cauda e um leve assobiar,
Estende-se o corpo tentando o sossego,
Há à noite um gato que mia consolando o sonho que dorme,
O gato chato e a vizinha com uma mola de roupa
E demorei um relógio inteiro a concentrar-me,
Trouxe um rally de carros no copo de vinho do Porto,
A snobeira de Lisboa é marítima,
Ao som de máquinas articulo o coração que estilhaça vidros em momentos eternos,
Um quadro já nem soma ou subtrai equações de imagens por ser antiguidade por desvendar,
O vento é apenas vento como uma fala de egípcios sem amor ao tempo que corre,
Há um alçapão no contexto e um baralho de escadas,
Um ser que resiste e um acrescentar desejos como chave e cofre
Como rima e verso, conversa ou apenas um pássaro nativo de África.
A labareda de imaginar, cosmos pacífico,
Três pianos de cauda e um leve assobiar,
Estende-se o corpo tentando o sossego,
Há à noite um gato que mia consolando o sonho que dorme,
O gato chato e a vizinha com uma mola de roupa
E demorei um relógio inteiro a concentrar-me,
Trouxe um rally de carros no copo de vinho do Porto,
A snobeira de Lisboa é marítima,
Ao som de máquinas articulo o coração que estilhaça vidros em momentos eternos,
Um quadro já nem soma ou subtrai equações de imagens por ser antiguidade por desvendar,
O vento é apenas vento como uma fala de egípcios sem amor ao tempo que corre,
Há um alçapão no contexto e um baralho de escadas,
Um ser que resiste e um acrescentar desejos como chave e cofre
Como rima e verso, conversa ou apenas um pássaro nativo de África.
Meaning
Nada é instinto, o segredo de ardil ou covil ou degredo,
Tudo é artimanha ou nulidade ou passeio ao desengano,
Em tudo vi pobreza, encerro o capítulo de sombra,
O medo de ser, talvez o meaning de significado,
Não me soube inventar, ser eu,
Não sei ser alguém se nem eu me sei.
Tudo é artimanha ou nulidade ou passeio ao desengano,
Em tudo vi pobreza, encerro o capítulo de sombra,
O medo de ser, talvez o meaning de significado,
Não me soube inventar, ser eu,
Não sei ser alguém se nem eu me sei.
Demora Dizer Adeus
Lembrei-me e esqueci, mas demora, demora dizer adeus,
Não sei se posso perdoar o que não esqueço,
Tarde demais para me encontrar, não sinto,
Insiste a razão e a humildade de ser eu,
Não consigo ser o que poderia ser,
Ainda acendo manhãs inglórias para tentar sorrir,
Mas esqueço,
É complexo esta forma de nada poder dar
Com tudo o que não disse no movimento involuntário de ser dúvida,
Tudo é um centro, um desengano, toco o engano no coração,
Mas a viagem tem um começo, um principio
Que me precipito,
Eu sou um texto de palavras de romances e folhetins policiais
E sei que não sinto,
Caminho embriagado de tons de luzes e vejo o nariz respirar solidão.
Não sei se posso perdoar o que não esqueço,
Tarde demais para me encontrar, não sinto,
Insiste a razão e a humildade de ser eu,
Não consigo ser o que poderia ser,
Ainda acendo manhãs inglórias para tentar sorrir,
Mas esqueço,
É complexo esta forma de nada poder dar
Com tudo o que não disse no movimento involuntário de ser dúvida,
Tudo é um centro, um desengano, toco o engano no coração,
Mas a viagem tem um começo, um principio
Que me precipito,
Eu sou um texto de palavras de romances e folhetins policiais
E sei que não sinto,
Caminho embriagado de tons de luzes e vejo o nariz respirar solidão.
Verso Puro
Sei um verso puro que canto aos ventos,
Um frasco de memórias que diluo num sonho
Como andorinha ou pardal de corda,
Nestes anos trouxe um verso de amor no colo,
És um corpo de sinais que sinto perdendo-me,
A conquista desenfreada,
O Cosmos hoje perdeu-se em lume de olhar,
A vastidão desunida de tudo,
A armadura de pensamento que papagueia
Às cegas o ciúme, o delírio dos anos mortos,
Páginas de mórbida curiosidade de enredos e enganos,
Folheio os desenganos e um sentido chato como um derrame cerebral,
Tantos presságios e dores,
O fado das almas veste o preto do cetim,
A sala chora uns momentos,
Chora um exame, uma contradição de ser como fonte,
A inocência de olhar o verso e sorrir,
Espero o verso cansado das arritmias de tempos,
Espero sempre só e não me pertenço.
Um frasco de memórias que diluo num sonho
Como andorinha ou pardal de corda,
Nestes anos trouxe um verso de amor no colo,
És um corpo de sinais que sinto perdendo-me,
A conquista desenfreada,
O Cosmos hoje perdeu-se em lume de olhar,
A vastidão desunida de tudo,
A armadura de pensamento que papagueia
Às cegas o ciúme, o delírio dos anos mortos,
Páginas de mórbida curiosidade de enredos e enganos,
Folheio os desenganos e um sentido chato como um derrame cerebral,
Tantos presságios e dores,
O fado das almas veste o preto do cetim,
A sala chora uns momentos,
Chora um exame, uma contradição de ser como fonte,
A inocência de olhar o verso e sorrir,
Espero o verso cansado das arritmias de tempos,
Espero sempre só e não me pertenço.
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