Abre a madrugada,
Um canto de nascente sorri o espanto,
Alma em relevo nos olhos de fera,
Nada é maior que tudo nisto que custa crescer,
Nem cicatrizes ou reclames ou olhos
Sabem de mim,
Sentir que turvo sou como algo que resmunga,
Indecifrável e desumano num rosto sempre ausente,
Equações que olham o perfil
De que nada diz ser mimetismo de conta
Que acrescenta conta na tristeza fugaz,
No burburinho alimentar os passos
Andando entre figuras e paredes desabrigadas
De som ou calares de histórias
Que nem ser o que são por não se pensar
Em se ser que somos na ambiguidade de
Voltar a casa imerso de núvens e
Algo irrealizável
No instante que se olha o sentimento
De sentir os olhos
Que secam lágrimas
Em mundos de desalinho
De sonhar sempre mais
Que o sonho,
Que desejo,
Mãos nos bolsos tateando moedas,
Sempre longe,
A utopia de mais nada dito,
Desdito e como prefácio de livro que não se lê
Pendurado em alguma estante de papéis demorados.
terça-feira, 7 de julho de 2015
Hora Exata
Decidir a fixidez, a hora exacta,
O leve enlanguescer da manhã
Metamorfose de corpo de laranja e rosa,
Em atropelos e multidões corro em busca de mim
Como animal de submundo
Em busca de um gesto que indique a voz,
Ser eu que me perco em rostos e soluços de memórias,
Um jornal que gasta tinta de chuva
Num dia que cospe fogo
De silêncios,
Perdi o jeito nocturno,
A vaga maneira de me transformar,
Respirar a fuligem de aragem do negro,
Luzes acendem a ilusão
De afecto e um assunto nulo de existir um mocho
E um desgosto por ter percorrido as noites de carne e ossos,
Num dia que fecha olhos,
Janelas do relógio responde tosse no cinema de emoção,
No afago como pedinte de sombras
Dispo o corpo como vício,
Mergulho em sono,
Pressinto a nota de musica
Da madrugada de todos dias ser luz.
O leve enlanguescer da manhã
Metamorfose de corpo de laranja e rosa,
Em atropelos e multidões corro em busca de mim
Como animal de submundo
Em busca de um gesto que indique a voz,
Ser eu que me perco em rostos e soluços de memórias,
Um jornal que gasta tinta de chuva
Num dia que cospe fogo
De silêncios,
Perdi o jeito nocturno,
A vaga maneira de me transformar,
Respirar a fuligem de aragem do negro,
Luzes acendem a ilusão
De afecto e um assunto nulo de existir um mocho
E um desgosto por ter percorrido as noites de carne e ossos,
Num dia que fecha olhos,
Janelas do relógio responde tosse no cinema de emoção,
No afago como pedinte de sombras
Dispo o corpo como vício,
Mergulho em sono,
Pressinto a nota de musica
Da madrugada de todos dias ser luz.
Sem Amor
A imensa luz que resta é uma vela num quarto
Que olha a velhice, rugas e choro,
Não sobeja nada,
Nem alegria, nem ilusões,
Deserto de alma que respira um lamento,
Uma cerveja que fica num copo abandonado,
Mexo o espelho, talvez mais uma imagem,
Um exame, uma inspiração,
O mocho do rosto, o corpo de sala,
Ainda não eu, ainda a pele,
Desperdicio que embala um soneto de Camões
Na beira de uma estrada,
A rir-se de si mesmo ao sentir-se infantil
No que não sou, no vicio de calar
A imensa voz de canto de choro,
Pranto despido de incoerência,
Palavras de romantismo sem cupido, sem flechas,
A dormirem em silêncio
Porque incomprensíveis a todos
Na maneira de ser como verso de flor de mato
Que sem olfato tateia a cor sempre sem amor.
Que olha a velhice, rugas e choro,
Não sobeja nada,
Nem alegria, nem ilusões,
Deserto de alma que respira um lamento,
Uma cerveja que fica num copo abandonado,
Mexo o espelho, talvez mais uma imagem,
Um exame, uma inspiração,
O mocho do rosto, o corpo de sala,
Ainda não eu, ainda a pele,
Desperdicio que embala um soneto de Camões
Na beira de uma estrada,
A rir-se de si mesmo ao sentir-se infantil
No que não sou, no vicio de calar
A imensa voz de canto de choro,
Pranto despido de incoerência,
Palavras de romantismo sem cupido, sem flechas,
A dormirem em silêncio
Porque incomprensíveis a todos
Na maneira de ser como verso de flor de mato
Que sem olfato tateia a cor sempre sem amor.
Choro Cego
Por entre o meu cansaço, por entre o meu caminho
Há sonho de maresia, há memória sem fim,
Na face do momento agito sinais de fim
Na esteira de regressar ao inicio,
De me conhecer,
Que constante loucura me pedem,
Meu padecer que arrasto como franja de cabelo
Como ser cedo para ser outro novamente,
No que não posso ser, pois estou certo que não serei capaz
De virar a página triste e maldita,
A vida sadia,
Ser eu custa como uma imagem de riso
Ou a solidão de noites,
Na verdade construída de embaraço,
No risco que traço em corpos azuis de hoje,
Fecho a minha cara de granizo,
Unidade somente minha,
Que há pescadores tentando resgatar a razão de rosto
Que não respira
E como e rezo e durmo,
E sobrevivo sempre no que não sou ou sei reinventar
Em assunto que resta e custa digerir como uma sandes de atum
Ou um cigarro depois de um café branco
Destilado na bebedeira de dor de cabeça
Que é todos os dias,
Custa-me ver letras,
Custa a perfeição,
Quando vem outro dia,
Quando me abandonam como animal doente
Numa qualquer estrada,
O meu ir e vir
A inocência dos astros,
A letra senil que ouve o choro cego de futuro.
Há sonho de maresia, há memória sem fim,
Na face do momento agito sinais de fim
Na esteira de regressar ao inicio,
De me conhecer,
Que constante loucura me pedem,
Meu padecer que arrasto como franja de cabelo
Como ser cedo para ser outro novamente,
No que não posso ser, pois estou certo que não serei capaz
De virar a página triste e maldita,
A vida sadia,
Ser eu custa como uma imagem de riso
Ou a solidão de noites,
Na verdade construída de embaraço,
No risco que traço em corpos azuis de hoje,
Fecho a minha cara de granizo,
Unidade somente minha,
Que há pescadores tentando resgatar a razão de rosto
Que não respira
E como e rezo e durmo,
E sobrevivo sempre no que não sou ou sei reinventar
Em assunto que resta e custa digerir como uma sandes de atum
Ou um cigarro depois de um café branco
Destilado na bebedeira de dor de cabeça
Que é todos os dias,
Custa-me ver letras,
Custa a perfeição,
Quando vem outro dia,
Quando me abandonam como animal doente
Numa qualquer estrada,
O meu ir e vir
A inocência dos astros,
A letra senil que ouve o choro cego de futuro.
Palavras
A palavra masculina de ênfase,
Manifestação de letra
Surge ao sentido nomeando frases
Do significado que entende,
A escrita e os olhos pestanejam
Ao de leve as margens e as letras compostas e arranjadas
Subindo trémulas ao olhar que significa
A razão de ler o que o poeta
Disse não dizendo, aparentando o conteúdo dúbio
De uma coisa é muito que não é ou poderá ser
No câmbio de sugestão,
A comunicação não é diretamente o que é,
O poeta escreve, simboliza, sente,
O leitor apenas percebe a encenação
Do conteúdo da vaga ideia impressa.
Manifestação de letra
Surge ao sentido nomeando frases
Do significado que entende,
A escrita e os olhos pestanejam
Ao de leve as margens e as letras compostas e arranjadas
Subindo trémulas ao olhar que significa
A razão de ler o que o poeta
Disse não dizendo, aparentando o conteúdo dúbio
De uma coisa é muito que não é ou poderá ser
No câmbio de sugestão,
A comunicação não é diretamente o que é,
O poeta escreve, simboliza, sente,
O leitor apenas percebe a encenação
Do conteúdo da vaga ideia impressa.
Outro Sentido
O capítulo de mágoa no livro dos dias,
A encenação de leve rubor de ossos
Acordando o mecanismo de locomoção de vida lenta,
É estática e sem sentido
Na boca de silêncio e paz,
Ouve o progresso no ouvido de ausência
Do real frívolo de sempre,
O monótono labirinto de alma
Que rasga imaginação colorida de lápis de cera
Nos dedos da ansiedade de crescer até ser noite,
Sou irreal, não alcanço arestas,
As teias de rostos de sons oblíquos que
Faz a cabeça bater sincronizada em utensílios
E olfacto de rasto de me perder
Em bonecos andarilhos que mastigam as palavras
Para dentro, para fora
Até ser outro sentido.
A encenação de leve rubor de ossos
Acordando o mecanismo de locomoção de vida lenta,
É estática e sem sentido
Na boca de silêncio e paz,
Ouve o progresso no ouvido de ausência
Do real frívolo de sempre,
O monótono labirinto de alma
Que rasga imaginação colorida de lápis de cera
Nos dedos da ansiedade de crescer até ser noite,
Sou irreal, não alcanço arestas,
As teias de rostos de sons oblíquos que
Faz a cabeça bater sincronizada em utensílios
E olfacto de rasto de me perder
Em bonecos andarilhos que mastigam as palavras
Para dentro, para fora
Até ser outro sentido.
Esquecimento de Sentir
Ser alguém que recordo não sendo eu,
Esquecimento de sentir,
Ainda a farsa de me não reconhecer, ainda não,
Talvez amanhã mais ou menos eu que sou,
Que me descubro e reconheço,
A minha veia de sangue, o meu corpo só,
Apago coincidências, ando em aparências,
Miro o espelho de dentes plano de reticências de luz,
O sagrado e o profano,
Bonecos despojados de olhos,
Os pés salientes, a cama chora a imagem de roupas,
Embaciado de glória de humanismo
E três desejos de rir como nada que digo,
Sentimento ao de leve como uma ferida,
Enfim piano cálido de pressentir o medo de mim.
Esquecimento de sentir,
Ainda a farsa de me não reconhecer, ainda não,
Talvez amanhã mais ou menos eu que sou,
Que me descubro e reconheço,
A minha veia de sangue, o meu corpo só,
Apago coincidências, ando em aparências,
Miro o espelho de dentes plano de reticências de luz,
O sagrado e o profano,
Bonecos despojados de olhos,
Os pés salientes, a cama chora a imagem de roupas,
Embaciado de glória de humanismo
E três desejos de rir como nada que digo,
Sentimento ao de leve como uma ferida,
Enfim piano cálido de pressentir o medo de mim.
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