terça-feira, 5 de março de 2013

Os Dias


Quando chegar o dia sei que vou estar distraído
A olhar a Lua, a contemplar o céu.
Talvez a meditar,
Esquecido,
Em qualquer sentimento do ser ou do estar.

Quando chegar a hora estarei a olhar o abstracto,
A pensar em causas e consequências,
Em coisas vãs ou coisas trágicas.

O momento que tem que acontecer
É luz que desvanece em olhos que não vêem,
Sonho reminescente,
Nú de realidade...

Os dias dos meses ou da semana, 
As horas do dia e da noite
São inconsciente existência
De não possuir um sentido de pertença.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Caminho


Sigo sempre em frente,
Não vou desistir.
Abstraio-me de pessoas, céu ou sons da cidade,
O caminho faz-se a andar tal como peregrinos em busca de fé.

Ouço a intuição, 
A voz do coração.
Esqueço o sofrimento que jaz em minha alma.
Só posso contar comigo, nesta longa jornada. 
O passado foi dura batalha.
As mazelas curam-se aos poucos,
Lentamente...

O pensamento é circular, perpendicular,
Infinito labirinto,
Beco sem saída.
Mas não vou ceder,
Sou somente eu,
Livre de conflitos ou ilusões.
Como é difícil acordar lúcido
Em tão factuais e frias manhãs de realidade.

Sonho

Sim, eu...
Não te esqueças que sou sempre eu
Que todas as noites se transforma em sombras do passado...
E que sempre fecha a janela ao mundo exterior,
E se deixa adormecer ao ensurdecedor momento
Em que tudo é e continuará ilusório, vago e ancestral.

Esquecimento

A tua breve e tardia carícia,
Repousa agora em minha sombria memória.
O que poderia ter sido possível,
Provavelmente não passará de recordação esquecida
Dia nublado de mais uma tarde em Lisboa.

Em ondas, montanhas e nuvens,
Os meus olhos vagueiam.
O frio da paisagem é,
Numa fotografia de ontem,
Tudo o que conservo de meu.
O abandono também me pertence...

Tudo o que é noite,
Tudo o que é real,
Esqueço a cada gesto,
Em cada ruga do meu rosto.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O Futuro

O futuro é pálido narcisismo
Que se esconde na banal luta interior 
Do ser invisível, individual.

Todos nós morremos tantas vezes na vida...
Ontem acreditámos, amámos e sofremos, 
Hoje a realidade e a revolta da ficção,
Amanhã a confusão de fios que se atam em nós
Feitos de sentimentos 
Que mistura real, imaginário, emoção.

O homem pensando no futuro
Pergunta o que lhe está destinado...

Ciclo de vida ainda por se inventar,
Real que se constrói e se reforma e se torna a transformar.

Só o nada ou o vazio nos faz parar,
Mas mesmo o nada é alguma coisa
Se tivermos o consciente desejo de novamente começar.


Marginal de Vida

Um a um,
Cada sentimento,
Foi-me arrancado do meu peito.
O meu discernimento,
A razão,
Como homem refém de vida.

Sobrou o horror e o ser ausente
Que me fazem sentir marginal sem culpa aparente.
Vazio fiquei,
Inerte continuei.

Sem abraços ou flores no meu caminho.
Nem revolta sentia,
Quieto no meu ténue mundo.
Só som de cor neutra,
Som longínquo de mar.

A minha real presença,
Sem realidade de sensações.
Só receio e frio.
Um desfiar de horas mórbidas em suaves palpitações
Com ponteiros de horas e minutos que desmaiam,
Um relógio de complacência e encolher de ombros.


Gramática



O Por vezes não chega,
O mais ou menos ou o talvez não sossega.
Quero a certeza, o conceito, a afirmação,
Irritante a hesitação.

Contudo, todavia, no entanto, porém
Acrescenta informação,
É um crescendo,
Uma teatralização.

Os substantivos, os nomes dizem o real,
Só o sonho, o nosso inconsciente sugere o surreal.


Os advérbios ajudam à construção do texto,
Os verbos indicam uma acção,
O adjectivo caracteriza um nome.

A gramática do falar e do viver
É comunicação que nos ajuda a entender.
É linguagem sonora, visual e gestual
Que faz com que o ser seja verdadeiramente intelectual.