A adolescência de voar,
Sem equívocos, sobretudo ousar,
Ser maiúsculo e na realidade ser prático,
Incoerente ao que se julga, superior ao fato,
Sei de um país que nasce todos os dias nos olhos que me fitam,
Sei de tudo o que é músculo, carne e sentimento de calar, mitigar a sorte,
Bater à porta de minha memória para não chorar de dor,
É isto que luto todos os dias,
É isto que trago,
De ti,
Espírito de fraqueza embutido na minha palidez de Maio,
De todos os dias,
Andarilho da palavra que dança,
Dizer com pulmões cheios de ar, de viva voz quanto me apaixono quando te vejo,
Imagem ao espelho
E me esqueço de mim,
Nobre e solene no meu pequeno jeito de ser
E que abraço ao sol poente esta idiotia de dúvida,
A questão de sentir, alinhavar o que norteia,
O que me faz mover,
Baloiço de abstrato,
Endereço de timidez.
quarta-feira, 12 de março de 2014
Essência de Felicidade
Aceito a hesitação, a escrita cansada,
Demora...
A pausa das palavras como que inanimadas.
O enredo vem, assim, apoderar-se
Pleno, mínimo, tecendo sentidos,
Palavras constroem palavras,
Há na lentidão a devassa dos significados,
Um horizonte, luz, prece, esperança
Como nascimento ou ideia,
Um ferro cravado nas linhas da folha,
O contexto, assunto, como, onde, porquê.
É flecha ausente de olhos que vêem,
A ilusão das letras,
Um todo que é nada.
É, portanto, acessório que veste um corpo,
A nudez não interessa.
Roupa de versos,
A prece na batina de um padre,
Cor garrida de amor, encenação,
Bilhete, cartaz
Ou talvez a essência da felicidade.
Demora...
A pausa das palavras como que inanimadas.
O enredo vem, assim, apoderar-se
Pleno, mínimo, tecendo sentidos,
Palavras constroem palavras,
Há na lentidão a devassa dos significados,
Um horizonte, luz, prece, esperança
Como nascimento ou ideia,
Um ferro cravado nas linhas da folha,
O contexto, assunto, como, onde, porquê.
É flecha ausente de olhos que vêem,
A ilusão das letras,
Um todo que é nada.
É, portanto, acessório que veste um corpo,
A nudez não interessa.
Roupa de versos,
A prece na batina de um padre,
Cor garrida de amor, encenação,
Bilhete, cartaz
Ou talvez a essência da felicidade.
Não Choro
Sempre desorganizado,
Ouço o inexpressivo acontecer do grito demente,
Silêncio, porque o barulho, as vozes, todos os verbos são vento.
Esta noite não choro.
Oh, quanto desespero em desigualdades, metades
E como sinto a névoa em meus olhos fugir.
Ouço o inexpressivo acontecer do grito demente,
Silêncio, porque o barulho, as vozes, todos os verbos são vento.
Esta noite não choro.
Oh, quanto desespero em desigualdades, metades
E como sinto a névoa em meus olhos fugir.
Eterno Adeus
Vi-te em meu olhar,
Distraías-te com a paz da noite melancólica
E os teus olhos serenos e tristes
Cantavam uma melodia, uma reza tão suave
Que tudo em teu redor era silêncio e harmonia.
Não eras ninguém, apenas tu mesma,
Sem disfarces ou artifícios,
A vontade em tua pele
Delírio da razão de amar.
A cor era desmaio, o sono refúgio,
O real era o teu braço no meu orgulho de sentir-te,
Contava os botões do teu casaco de malha,
Eras tão delicada e ténue como luz.
Amor, o silêncio em ti era mais que mil palavras,
Mais que dicionários,
Tragédias, ficções passageiras.
Eterno adeus,
Caminho agora em lentos, sofridos amanhãs
E vou escurecendo a recordação de tua face,
Agora matéria de ambíguos sonhos.
Distraías-te com a paz da noite melancólica
E os teus olhos serenos e tristes
Cantavam uma melodia, uma reza tão suave
Que tudo em teu redor era silêncio e harmonia.
Não eras ninguém, apenas tu mesma,
Sem disfarces ou artifícios,
A vontade em tua pele
Delírio da razão de amar.
A cor era desmaio, o sono refúgio,
O real era o teu braço no meu orgulho de sentir-te,
Contava os botões do teu casaco de malha,
Eras tão delicada e ténue como luz.
Amor, o silêncio em ti era mais que mil palavras,
Mais que dicionários,
Tragédias, ficções passageiras.
Eterno adeus,
Caminho agora em lentos, sofridos amanhãs
E vou escurecendo a recordação de tua face,
Agora matéria de ambíguos sonhos.
Semiótica do Sentimento
Procuro, devorando palavras,
Definições no dicionário de almas,
Vou tateando, sofrendo as ausências,
Não te sei de cor,
Sei o que me falta e é tanta a mágoa como pranto, desencanto,
Pássaro negro, infeliz,
Ode triunfante, enredo marginal,
Novela de palavras mortas.
A desilusão é o que recebo,
O pecado é estar aqui e ver o que sofro
E pressinto tal como mundo.
O que me deixaram não serve,
O que sou não é justo,
O meu corpo é a metáfora mais atroz na semiótica das palavras do sentimento,
Por vezes abro a janela e fico, assim, a meditar na distância entre o bem e o mal,
Por vezes ando de noite com os olhos rasos de choro,
Enraivecido ou desculpando a razão que surge aos poucos,
Mas não ilumina o passado e futuro,
O que poderia, ambicionava talvez poder ser.
Definições no dicionário de almas,
Vou tateando, sofrendo as ausências,
Não te sei de cor,
Sei o que me falta e é tanta a mágoa como pranto, desencanto,
Pássaro negro, infeliz,
Ode triunfante, enredo marginal,
Novela de palavras mortas.
A desilusão é o que recebo,
O pecado é estar aqui e ver o que sofro
E pressinto tal como mundo.
O que me deixaram não serve,
O que sou não é justo,
O meu corpo é a metáfora mais atroz na semiótica das palavras do sentimento,
Por vezes abro a janela e fico, assim, a meditar na distância entre o bem e o mal,
Por vezes ando de noite com os olhos rasos de choro,
Enraivecido ou desculpando a razão que surge aos poucos,
Mas não ilumina o passado e futuro,
O que poderia, ambicionava talvez poder ser.
Nada do Momento
Olhar o nada do momento,
Semi-cerrar o real em ótica de sonhar acordado,
A imagem é infeliz vista por mim,
O teu rosto é uma sombra arrastada pela cidade,
Alcanço arestas,
Pegadas impressas em desilusão.
Já desculpei este meu desamor,
A entrega que não é nada,
É memória ou inconsciente,
Viver em gestos,
Fuga que faço de amor,
Fuga que faço de mim,
Como é fútil perder o prazer de profundidade.
Semi-cerrar o real em ótica de sonhar acordado,
A imagem é infeliz vista por mim,
O teu rosto é uma sombra arrastada pela cidade,
Alcanço arestas,
Pegadas impressas em desilusão.
Já desculpei este meu desamor,
A entrega que não é nada,
É memória ou inconsciente,
Viver em gestos,
Fuga que faço de amor,
Fuga que faço de mim,
Como é fútil perder o prazer de profundidade.
Não Vale Nada
Ali uma imagem e um corpo,
Depois o céu azul, distante,
Alma breve, complicada,
A incerteza de nada de tão vazia
Faz-me andar à deriva em busca de um eu mesmo desencontrado.
A emoção é saturante, não reconheço sentimento,
Não há nada.
Se pudesse, conseguisse reaver os pedaços de vida,
Os corpos que amei em vão,
Juro que não sinto, tudo vão,
A luz trágica
Desta confissão o amor não vale nada.
Depois o céu azul, distante,
Alma breve, complicada,
A incerteza de nada de tão vazia
Faz-me andar à deriva em busca de um eu mesmo desencontrado.
A emoção é saturante, não reconheço sentimento,
Não há nada.
Se pudesse, conseguisse reaver os pedaços de vida,
Os corpos que amei em vão,
Juro que não sinto, tudo vão,
A luz trágica
Desta confissão o amor não vale nada.
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