Nunca e jamais tornarei a ser o que sou,
Sou um outro e desconheço o ser.
Se amigos não o são
E o real uma coisa inventada
E a ciência é lenta em sua angustia,
Há olhos em estrelas,
E água estagnou em meu olhar,
Descanso o sono maldito,
Em breve o sonho acordará, assim, irreal.
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Azul
O azul do som do mar,
Tonalidade de onda que volteia,
Momentos de fuga,
Enredos de fantasia, sopranos de vento,
Natureza de conceito nulo,
Ergue-se a sombra de luz de som distante, ambíguo,
A chama do oceano é imensa,
Acalma a treva do sonho adormecendo o espírito.
O mar é a nudez da alma.
Tonalidade de onda que volteia,
Momentos de fuga,
Enredos de fantasia, sopranos de vento,
Natureza de conceito nulo,
Ergue-se a sombra de luz de som distante, ambíguo,
A chama do oceano é imensa,
Acalma a treva do sonho adormecendo o espírito.
O mar é a nudez da alma.
Desmotivado
Desmotivado, arrastando-me somente em vão,
Noite, persigo a luz,
Olhos fechados que choram a palidez de rosas.
Desde que perdi a ambição,
Som de corpo nú, nada,
Há uma lembrança, uma imagem
De criança numa escola abandonada,
Os livros perderam as letras dos significados
Neste mundo onde tempo corre velozmente em solidão desencontrada.
Noite, persigo a luz,
Olhos fechados que choram a palidez de rosas.
Desde que perdi a ambição,
Som de corpo nú, nada,
Há uma lembrança, uma imagem
De criança numa escola abandonada,
Os livros perderam as letras dos significados
Neste mundo onde tempo corre velozmente em solidão desencontrada.
Penso e Sonho
Penso, sobretudo penso e sonho
No que pensaria se fosse um outro e não eu.
Qual o assunto de meus dedos,
Qual a personagem
Qual o meu papel.
Tento o inconsciente e o momento
E o que custa 24 horas
E se fechei os olhos
E se mirei o céu.
Deveras o que sinto,
O que sou eu
É um futuro composto,
Algo absurdo e incompleto.
Se choro, se rio,
Quanta mágoa há num copo de vinho
E quantos acenos há no voo de uma gaivota
A planar como derrota do olhar.
No que pensaria se fosse um outro e não eu.
Qual o assunto de meus dedos,
Qual a personagem
Qual o meu papel.
Tento o inconsciente e o momento
E o que custa 24 horas
E se fechei os olhos
E se mirei o céu.
Deveras o que sinto,
O que sou eu
É um futuro composto,
Algo absurdo e incompleto.
Se choro, se rio,
Quanta mágoa há num copo de vinho
E quantos acenos há no voo de uma gaivota
A planar como derrota do olhar.
Processo
A casa de contemplação do ouvido que ergue a voz,
Sons de estrada,
Na madrugada dos sonhos embriagados por desilusão e mesquinhez
Fazia a andorinha o seu ninho de olfacto
E a sórdida vizinha do cupido analfabeto de imagens e luz
Discorria um discurso de cegos que pedem esmola no metropolitano.
Assim que eu cheguei a Lisboa no meu nascer descendente
Acordei em atirar pedras à injustiça que mora no prédio ao lado do meu.
Por vezes sou inútil e demente mas isso é meramente normal,
Assim como a imbecilidade é aceitável desde que vá num passeio contrário ao meu.
Fazer cócegas no que não é de rir é moribundo
E gracejo porque a monotonia é um modo de ser que não gosto.
Do riso sei eu o que custa uma lágrima,
Do sonho que volteia em realidade
E realidade de sonho e fantasia do veneno,
Sim, teatrinhos de estrada e embaraços,
A cerveja é uma forma de estar como tremoços e vadiagem,
Viver não sei o que custa,
Vida e morte é incógnita de sábios,
Talvez insista no teclar de pianos,
Talvez persiga no ar o infinito,
Mas morrerei feliz nesta infelicidade de processo.
Sons de estrada,
Na madrugada dos sonhos embriagados por desilusão e mesquinhez
Fazia a andorinha o seu ninho de olfacto
E a sórdida vizinha do cupido analfabeto de imagens e luz
Discorria um discurso de cegos que pedem esmola no metropolitano.
Assim que eu cheguei a Lisboa no meu nascer descendente
Acordei em atirar pedras à injustiça que mora no prédio ao lado do meu.
Por vezes sou inútil e demente mas isso é meramente normal,
Assim como a imbecilidade é aceitável desde que vá num passeio contrário ao meu.
Fazer cócegas no que não é de rir é moribundo
E gracejo porque a monotonia é um modo de ser que não gosto.
Do riso sei eu o que custa uma lágrima,
Do sonho que volteia em realidade
E realidade de sonho e fantasia do veneno,
Sim, teatrinhos de estrada e embaraços,
A cerveja é uma forma de estar como tremoços e vadiagem,
Viver não sei o que custa,
Vida e morte é incógnita de sábios,
Talvez insista no teclar de pianos,
Talvez persiga no ar o infinito,
Mas morrerei feliz nesta infelicidade de processo.
Unguento
Rosto na manhã calada,
Rostos e bustos caídos,
Muros e ondas azuis
Por vezes sem cor,
Às vezes velhos pedem a juventude
Na voz de suas inocências de há muito tempo,
Que não se perdem,
Estão dormentes,
São como chagas pedindo o unguento de fé.
Rostos e bustos caídos,
Muros e ondas azuis
Por vezes sem cor,
Às vezes velhos pedem a juventude
Na voz de suas inocências de há muito tempo,
Que não se perdem,
Estão dormentes,
São como chagas pedindo o unguento de fé.
Mito
Este jeito de vaguear
Nada inquieta e tudo mantém,
As palavras não sabem dizer o que sinto,
As palavras que servem afinal?
A monotonia do significado,
Mas a verdadeira essência do pensamento é a irrealidade,
Não há palavras do pensamento,
São vivências, sensações, ternura, amor,
O pensamento é inexplicável.
Qual é o pensamento que é palavra
E o que é palavra senão o que pensamos
E os conceitos serão conceitos ou preconceitos do domínio da significação?
Se digo dedo, será uma parte do corpo o conceito
E o preconceito por sabermos a que é de antemão qual o significado de dedo?
A falência do mito
E a verdade da imagem,
A realidade deve ser celebrada na verdade,
A imagem é o próprio mito de si mesma.
Nada inquieta e tudo mantém,
As palavras não sabem dizer o que sinto,
As palavras que servem afinal?
A monotonia do significado,
Mas a verdadeira essência do pensamento é a irrealidade,
Não há palavras do pensamento,
São vivências, sensações, ternura, amor,
O pensamento é inexplicável.
Qual é o pensamento que é palavra
E o que é palavra senão o que pensamos
E os conceitos serão conceitos ou preconceitos do domínio da significação?
Se digo dedo, será uma parte do corpo o conceito
E o preconceito por sabermos a que é de antemão qual o significado de dedo?
A falência do mito
E a verdade da imagem,
A realidade deve ser celebrada na verdade,
A imagem é o próprio mito de si mesma.
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