A fumar em silêncio, noite, musica, algo perdido,
A noite maestro indefinido das emoções,
Há sempre azul no céu onde se canta tudo o que não alcançamos
No degredo, no desespero, no cume do Ser,
Na face oculta, o deserto da cor pálida,
A noite desce como uma folha que cai,
Embriagado de assunto, de afectos que restam,
Um sonho de leveza como o sorriso distante do fio de prumo,
A tapeçaria da luz, o papel de gato,
Durmo um papel, um sinal,
Talvez acorde como sentisse um outro alguém
Na minha máscara,
Teia desunida e lenta de fim de sonho.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
Erguer o Vento
Erguer o vento, ver o lamento da cor,
Sorriso triste e breve no fim do fundo de uma garrafa apagada
Já num lamento nocturno de uma passa de cigarro.
Sorriso triste e breve no fim do fundo de uma garrafa apagada
Já num lamento nocturno de uma passa de cigarro.
Que som tem o som de dizer e não dizer,
A palavra imita a narrativa de momentos e trejeitos e enredos
Que barafustam a ambição de gestos pálidos e embaciados que prendem
A manhã gasta na cabeceira da cama e carne presa em assuntos.
A palavra imita a narrativa de momentos e trejeitos e enredos
Que barafustam a ambição de gestos pálidos e embaciados que prendem
A manhã gasta na cabeceira da cama e carne presa em assuntos.
Ainda enigmas e químicos e astrologia de deitar fora,
O lixo que foge nos meus pés,
Fazem curvas, linhas, ondas e travessias sem sair da cabeça
Ainda que anda nos passos sempre de imaginar
Ou não existir como anónimo filme sem causa ou efeito,
Apenas rosto e um presságio de sorriso
Que semeia um sinónimo constante e actual como quando inventamos um limite e uma regra
Que existem como tudo o que existe e vemos e farejamos e sentimos
Em frente a olhos e filtros lentos tácticos e suspeitas leves
Sem ousar a morte ou o fim de sonho.
O lixo que foge nos meus pés,
Fazem curvas, linhas, ondas e travessias sem sair da cabeça
Ainda que anda nos passos sempre de imaginar
Ou não existir como anónimo filme sem causa ou efeito,
Apenas rosto e um presságio de sorriso
Que semeia um sinónimo constante e actual como quando inventamos um limite e uma regra
Que existem como tudo o que existe e vemos e farejamos e sentimos
Em frente a olhos e filtros lentos tácticos e suspeitas leves
Sem ousar a morte ou o fim de sonho.
Labirinto
Foi verdade mesmo mentindo,
Foi certo a incerteza,
A coisa incapaz, o meu corpo ao vento
Como nuvem ou deserto,
Ainda pranto, fugaz labirinto,
O espelho incerto que veste de sonho e quebro em ritmo,
A álgebra de sonhar, tão levemente como pranto nu
Fuligem de rasto, pés convalescentes e animais
Que farejando a pele encontram cicatrizes de noites embaciadas em cinzento delírio,
Bebida destilada de cair morto ao fim desencontrado,
Ainda nome, ainda emoção que sobe momentos
Que enfim dorme, dorme, silêncio, dorme.
Foi certo a incerteza,
A coisa incapaz, o meu corpo ao vento
Como nuvem ou deserto,
Ainda pranto, fugaz labirinto,
O espelho incerto que veste de sonho e quebro em ritmo,
A álgebra de sonhar, tão levemente como pranto nu
Fuligem de rasto, pés convalescentes e animais
Que farejando a pele encontram cicatrizes de noites embaciadas em cinzento delírio,
Bebida destilada de cair morto ao fim desencontrado,
Ainda nome, ainda emoção que sobe momentos
Que enfim dorme, dorme, silêncio, dorme.
Silêncio Amordaçado
A imagem sopra nos dedos famintos
Da manhã de me perder,
Trivial como um festim nu em momentos de choro,
Mágoa pálida em processo militar que olha
Que rasga como folha, como Jesus na cruz,
Vejo um corpo, vejo uma flor,
Sento-me e examino um insecto,
Que impaciência respirar ou acordar sempre em rituais
Que dispo para poder voar,
Para apagar e não ser eu,
Para ver além ou perto, tanto faz,
A alma decifra o papiro no silêncio amordaçado.
Da manhã de me perder,
Trivial como um festim nu em momentos de choro,
Mágoa pálida em processo militar que olha
Que rasga como folha, como Jesus na cruz,
Vejo um corpo, vejo uma flor,
Sento-me e examino um insecto,
Que impaciência respirar ou acordar sempre em rituais
Que dispo para poder voar,
Para apagar e não ser eu,
Para ver além ou perto, tanto faz,
A alma decifra o papiro no silêncio amordaçado.
Árvores de Infância
O sonho começa tarde e despovoado,
Cabelo ondulante na manhã de vento,
Em breve descubro o medo e o refugio na dor,
No encalço de mim mesmo,
No delírio fluorescente e concretizavel
Na fuga, na cor neutra, na imagem que afago,
A pétala que desfolho em meus olhos
Na imensidão de adeus.
Cabelo ondulante na manhã de vento,
Em breve descubro o medo e o refugio na dor,
No encalço de mim mesmo,
No delírio fluorescente e concretizavel
Na fuga, na cor neutra, na imagem que afago,
A pétala que desfolho em meus olhos
Na imensidão de adeus.
Breves trechos de silêncio que, por magia, vou apagando,
São escadas de minutos breves que desço subindo e morro,
Noites apressadas no leito que traduz a paz
E o enredo que descansa a imagética de conto,
Pardais lentos na face da almofada,
Em campos irreais de corpo inteiro
No açucareiro, no café penteio-me
Em vão contando palavras e assuntos
Que restam como frutos em árvores de infância.
São escadas de minutos breves que desço subindo e morro,
Noites apressadas no leito que traduz a paz
E o enredo que descansa a imagética de conto,
Pardais lentos na face da almofada,
Em campos irreais de corpo inteiro
No açucareiro, no café penteio-me
Em vão contando palavras e assuntos
Que restam como frutos em árvores de infância.
Noite Fria
A noite fria, treva de minha alma
Vem descendo crua, curando feridas pálidas
Na face da madrugada, destino de cada um.
Em breve um sopro de vento no trompete imaginado
Acorda cada sentido, cada gemido,
Um passo de dança no sentido de lembrar,
Como se o dia tivesse memória
E a memória um poço de sabedoria
No enredo perfumado do seio de uma mulher.
Vem descendo crua, curando feridas pálidas
Na face da madrugada, destino de cada um.
Em breve um sopro de vento no trompete imaginado
Acorda cada sentido, cada gemido,
Um passo de dança no sentido de lembrar,
Como se o dia tivesse memória
E a memória um poço de sabedoria
No enredo perfumado do seio de uma mulher.
Espiral do Sonho
A espiral do sonho inspira à acção,
Faço um dia mergulhar em noite,
Faço a maré respirar a cor azul do mar,
Até ao momento pardo o pano ergue a ilusão
E então risos e corpos despidos, figuras ritmadas e silêncios escuros
Pisam a cena que me rodeia até chegar ao limite,
Então embrulho o instante fim
Como um lenço de pano no fundo da algibeira,
É sempre de noite o fim e nunca há limite no infinito de si mesmo,
Na impaciente maneira de gritar ou gemer palavras demoradas que caem como adereços,
A palavra imita-se em si mesma pois é um complexo jogo de xadrês
Ou piano que sopra flores nos ouvidos que espreitam as flores
Que esperam o fim, a estação do mocho,
A delícia do espelho,
O hábito do jardineiro que semeia vento fora de janelas penduradas em corpos semibreves de tristeza.
Faço um dia mergulhar em noite,
Faço a maré respirar a cor azul do mar,
Até ao momento pardo o pano ergue a ilusão
E então risos e corpos despidos, figuras ritmadas e silêncios escuros
Pisam a cena que me rodeia até chegar ao limite,
Então embrulho o instante fim
Como um lenço de pano no fundo da algibeira,
É sempre de noite o fim e nunca há limite no infinito de si mesmo,
Na impaciente maneira de gritar ou gemer palavras demoradas que caem como adereços,
A palavra imita-se em si mesma pois é um complexo jogo de xadrês
Ou piano que sopra flores nos ouvidos que espreitam as flores
Que esperam o fim, a estação do mocho,
A delícia do espelho,
O hábito do jardineiro que semeia vento fora de janelas penduradas em corpos semibreves de tristeza.
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