segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sonhar

Sonhar o meu nome em dia de festa
É animar o convívio de eterna esperança.
Compôr uma melodia em tom romântico
É ser depois de tudo choro vazio,
Concerto circular sem orquestra.

Lágrima que escorre, lenço que limpa,
Pesada missão que me encaminha.
Visto a preceito o sobretudo,
Sou alguem que sofre o peso da virtude.

Alheio-me de corpo, esvazio o tempo.
Não sofrer? Fiéis ao ser?
A vida é o meu eterno lamento.

domingo, 1 de maio de 2011

Mãe

Mãe, todos os meus gritos são teus
E a todos tu os suavizas com um leve fechar de olhos.
És tu que todas as noites me aconchegas o cobertor e dizes: “dorme bem”,
Mesmo sem o fazer...

Mãe ainda sinto falta do teu colo
E o chorar do bebé do 6º andar do prédio sou eu.

Mãe, ainda sou eu que como a sopa toda por obediência,
E come todos os legumes, sem os pôr de lado no prato,
Foste tu que me ensinaste que há gente que sofre por nada ter.
Eu tenho o meu imenso amor por ti,
Materna carícia no meu mais saturado sofrer.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Dor

Quando perdi a percepção da vida, da idade, de mim pouco sobrou.
Ausência de tudo e restos de dor que se arrasta moendo levemente a sanidade que ficou...
Por vezes páro este som mudo da minha cabeça inútil para pensar e então pasmo e sofro muito e recupero e digo que não, não é tanto assim, amanhã pensarei doutra forma... mas acabo sempre por voltar a este pensar torturante que não é choro, não é físico, não é nada
Não sei, é sempre a conclusão a que chego, não me encontro, justifico.
Este tempo que passa nada é e eu nada sou.
Talvez tenha perdido o dom de me emocionar e assim encaro tudo como habituação mórbida.
Som roufenho entranhado nas células cinzentas da sociedade.

Prece

O sonho para ornamentar a fronte.
Leveza ensimesmada,
Um pouco que diga a justiça de ser feliz.
Querer avassalador de cumprir
O eterno ritual da renovação.

A conquista triunfante da virtude que reside em nós,
Faz mexer a intuição, o sentido, a vida.
Sofrer o ritual na pele, a fé move montanhas,
A solidão invade-me, dela não posso escapar.
Trago comigo a tranquilidade do sonho,
Comigo no eterno mistério da comunhão com Deus.

Deixo-me envolver em segredo no mundano,
Haste de espinhos, flor desfolhada,
Barba feita, roupa lavada,
Prece esquecida, por mim recordada.

Terço

Retrato imaculado,
Terço à luz de candeias desfiado,
A inocência de olhar matizado,
O sono destroçado.
Melancólica cadência,
O relógio do deserto.
O consolo em sofrimento.
A luz divina, por vezes, é subtil sombra,
Assim, como vitral em dia cinzento.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Poeta

A vida solta em eterna descoberta.
A espera,
O ouvir a voz,
O relógio do deserto.
Viver esparso.
Solidão,
Ruas, calçadas, travessas,
Figuras geométricas.
Ser a eterna juventude de alma de poeta.