sábado, 15 de março de 2008

Retrato

O silêncio, a ausência de vozes tristes.
O mistério nocturno, esparso.
O som do sonho,
A amplidão do mar,
A côr do sangue,
A sofreguidão de não amar.

Lume brando em acendalha mortiça,
O meu corpo cansado,
Cabeça , corpo alvoraçados.
Lembro a solidão,
A janela ampla
Enredo, novelo, espelho
Janela solta,
Conquista.

O meu retrato?
A angústia de personagem num enredo fatalista,
Sombra de vontade,
A verdade da razão derrotista.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

O Amanha

Passeio solto em retalhos de casualidades sonâmbulas.
Esparso, curioso e solto ou lento, amorfo.

Desdem, desdenho-me,
Sim, busco o impossível,
Sou eu o acaso ou o que não estava previsto acontecer.
O sonho, a minha verdade.

Uma vida é composta por dias, horas, anos, minutos,
Eu não tenho relógio nem sentido de orientação.
O amanhã é sempre o mesmo dia que ja passou.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Domingo

O dia de Domingo é calmo e desértico,
Mar de complacência terna.
A musica que passa é um sussurrar suave,
Leve brisa de final de tarde.

Vozes que chamam o meu nome,
Mas eu não presto atenção, estou paralisado
Presente num futuro de brava sabedoria.
Nunca é esta a minha realidade.

A voz distante do destino sem razão que suspira por mim é talvez chamamento divino,
Nesta permaneço atento, há vozes que me seguem...
A Terra vive, chora, chora-se, há um eterno peso de magia.
Uma leve película de aragem silvestre envolve-me suavemente os sentidos.

As horas do sino da igreja que ouço pelo ar
Invocam-me imagens maritimas, distantes,
Miragens desmaiadas, sem corpo nem espaço.
Eu eterno náufrago sem rumo...

Olho o céu,
O brilho das estrelas são como olhos de Deus
Guiando-me no mistério cego da fé.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Tudo e Nada

Diálogos esparsos, casuais, sonhos reveladores.
Um cigarro ao vento.
Alguém me faz uma pergunta.
Não sei responder.
Gostaria muito de poder alcançar o mar, as estrelas, o amor, a eternidade
Porventura dialogar palavras no mar de conquista de felicidade
A mágoa de virtude, solidão enredada.
Triste a minha condição de sofrer por tudo e por nada.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

O Louco

O louco estende-se na soleira da porta.
Anoitecem-lhe os olhos de choro soluçado.
As olheiras, as rugas, o rosto cansado.
O céu persegue-lhe a mente, a lua guia-o no seu caminho,
No casaco, suavemente, acaricia a história de um amor perdido.
Cumpre o mistério divino e secreto da eternidade.
Muito baixinho recita uma oração de igreja
E pede com todo o fervor por um amanhã de realidade.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

As Liçoes

Erroneamente lá dizias o dizer da obrigação da lição estudada.
Eu, estudante aplicado acenava aos dizeres e gracejava com significados que a mim me faziam sentido.
A minha escrita lenta...
Fugia-me a mão à palavra solta e apontava o gracejo de humor corriqueiro na tua voz.
A cortina bonita na janela, mesmo perto de ti e eu a olhar o superior pensamento de quem sabe.

Embrulhei o raminho de flores
E lancei-o como quem não sabe o como e o porquê...
O derrame de lucidez...
O instante do sonho de morte...
Sou sempre eu, distante, inconstante.
Choro a solidão, sou companheiro de alma sujo e gasto por esta Lisboa que vive de pensamento de rumo perdido.

O futuro não nos pertence, o encantamento divino de alma errante é o retrato que conservo dentro de um mistério de humanidade, luz, poema, canção, sorriso, choro, ou leve fechar de olhos, alheamento dos sentidos ou convulsão frenética.
Tudo faz parte da nossa existência.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Eternidade

O homem, o ser ausente e presente.
O homem só começa quando acaba...
A mulher, a suave aparência de ser o que é.
A continuação do sonho começado.
Um beijo, ténue, mudo
E a transparência de eternidade.