sexta-feira, 19 de abril de 2013

Vou Sem Destino

Vou sem destino,
Incerto,
Por entre campos,
Searas,
Terços rezados antes de dormir,
Onde os gatos pernoitam...

Tristes aves do vento,
Levem-me inteiro
Por entre casas, pessoas e montanhas.
Quero voar.
Construir a minha força
Em muros
Que separam os mortos dos vivos,
O sonho do real.
Povoar com a magia dos justos
Os ouvidos que ensurdecem.

Saudade

Não sei se vias no espelho
O reflexo do vazio que havia em ti.
Nunca conheci o teu ser imaterial,
A tua alma.

Somente sei o que via em ti,
Solidão e distanciamento no teu rosto.

Contemplativo,
Olhava a cidade,
O grafismo das casas
Recortando o imenso espaço.

Tuas palavras,
Tuas mãos de saudade.


segunda-feira, 15 de abril de 2013

Tédio

O imenso céu azul que todas as noites escurece,
As trevas...
Silêncios distantes
Que nada dizem,
Os pontos cardeais,
Acasos de memória e de lucidez,
A mesma canção que ouço até ao limite do infinito,
Do insano...
Os mesmos nomes,
O olhar felino cúmplice,
A expressão de tédio num cenário de Verão.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Ira das Palavras

A ira das palavras já não habita no meu corpo,
Agora o sonho, a dispersão.
Aves voam livremente no horizonte,
Um gato brinca, desamparado.
Ouço tudo com um ténue sentido
E uma caneta que gemendo,
Escreve poemas de luz, mistério e noite escura.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

O Silêncio das Palavras

Sôfregas e exclamativas pessoas
Guiando ao espaço palavras vãs
Que ocupam campos, montanhas, vales,
Cidades e aldeias,
Palavras feitas de olhares, estrelas e melancolia.

As cigarras, os pássaros, o mocho,
O que é comum
E o meu próprio pensamento,
Tudo em suspenso,
Tudo é apenas momentâneo ou futuro previsível.
Olho-me no espelho do invisível
Oásis mortal de queixas de mim,
Não sei se aparento o que sou...

O mundo consegue ser ensurdecedor...
E há inquietantes silêncios que dizem mais
Que qualquer maior discurso iluminado.

O Que Vejo


Peço boleia a multidões de estranhos
Que espreguiçam noites mal dormidas,
Conhecem-me...
Fico a cismar...

Revisito-me no teatro do real,
Estou sozinho para o bem e para o mal.

Consigo identificar algumas personagens que sou:
A tristeza, a alegria fugaz, a nuvem cinzenta em Agosto.
Será que me vou reconhecer amanhã?
Serei o mesmo que se viu hoje ao espelho?
Óbvio, soturno?

A janela do meu quarto mostra-me um mundo
De sentimentos agrestes.
Tento-me acalmar
Questiono a aparência,
Os sinais,
O dia, a noite
A vida e a morte
Mas nunca encontro respostas.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Hoje

Hoje vou escutar o vermelho
De uma lareira quente e acolhedora.
Hoje vou sentir o verde
Que nos segreda uma canção
De tudo o que é eterno e genuíno.
E olhar o céu,
Contemplar as estrelas...

Hoje vou relembrar os eternos momentos sadios
Celebrando o amor e a paz
Que reside dentro da minha alma,
Dentro do meu coração.