segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Continuar Vivo

A sensação, instante de prazer,
A dor evapora o momento que permanece em meu olhar,
Metáforas de amanhãs como árvores de frutos,
Searas de trigo em dia de vento,
Em breve esquecerei o que não sei,
O que quero dizer, o sonho, a imagem, o ser,
Uma blusa igual a tantas outras e a nudez de conceito,
A semente em repouso, o dinheiro parco, moedas na algibeira contadas,
Mas há assunto em palavras que dormem nos meus dedos
E a tempestade é agora neblina,
Que frio, transmito a minha fraqueza em colchões de existência sonâmbula.
Este que eu sou é qualquer coisa assim como desprezo, 
Não sei se me gosto de me gostar ou que gostaria que fosse,
Arrasto pedras em sonhos,
Acordo o vago,
A ciência não é perfeita,
Ah como queria que amanhecesse a tranquilidade
E o meu semblante fosse matéria de discussão em ambientes de Outono.
E o mundo? Alguém sabe traduzir o medo de mundo?
Alguém já chorou a hora eterna?
Ah que laço em prisão que oculta a escravidão
E que audácia depois de tudo ainda continuar a vivo.

Íntimo

Íntimo desespero, ruína,
Luz que não alcanço, rosto, demora.
Eu sei a palavra do acontecer é guia de ato que fica
Que em em conjunto é drama ou não,
Não é palavra, não é mágoa,
É destino, manhã em flor,
Largada de touros em dia de festa,
É romaria, travessia,
Ser poeta, limar arestas,
Conquista de amo-te muito como calma residual,
Sem futuro nem passado,
Assim como estátua do que mais gosto em mim,
Dou-te a inocência, dou-te o que gosto,
Não me peças o que não tenho, o que me falta,
A regra do esconder, a razão, o que em mim chora.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Gesto do Além

Ansiedade de amar, 
Incerteza de algo e portanto nada,
Como é intrigante o real 
E o que escapa sorrindo depois de dias chorando,
A dúvida é tanta e tão mínima
Que como gesto do além foge de mim.

Desentendimento

Por todo este nexo que é desentendimento
E à ilusão faz reverência,
Por tudo que morro em cada dia e sofro ainda mais este mal-estar,
Sofro todo o meu morrer em desgosto.
Alcanço a estrela, o final do dia,
Mas não é alegria,
É profunda e delicada melancolia, 
Que realidade me emprestam e deitam fora,
Que agasalho em nudez rude, 
Só me sei de sinónimos e de vazio empalidece a minha alma
Tão deserta de emoção, 
Vazia de escuro e feita de nobre e triste ilusão

Assunto

Quando esgueiro por aqui e ali,
Quando lua e sol são tudo menos vida
Há algo que furta o sentir no bolso
E sensação a fruta podre.
Acendo a luz do trovador,
Acendo a luz da sala
E há solícita brandura de tarde que foge
E não sei porquê mas fico estático,
Na mente histérico,
Uma flor que bonita,
E tudo é belo nesse instante de regresso ao verso,
A luz por vezes é luz ou lâmpada
E o assunto é assim e assado
Escrevo isto porque não me lembro onde estão os meus óculos escuros.

Não Entendo

Entretanto o tempo vem obscuro,
Como luz fundindo o silêncio
O meu corpo imaterial ainda dorme.
Meu Deus isto que sou
É afinal metáfora de demónio
Sorrindo em doença de manicómio,
Preso, entranhado em células cinzentas,
Não há luz que resista quando acordo para o dia
De todas as trevas de outrora
E ninguém, não há ninguém neste caminho embriagado
Nesta chaga que consome o sangue, odor de solidão.
Obrigado, eterno obrigado por esta vida.
Fico por aqui até me lembrar de desculpar toda esta maldade,
Todo o desgosto, todo este desperdício de gente
Que não entendo, nunca entenderei.

No Enigma

No enigma, no existir, 
No momento de sentir
O sagrado do etéreo do profano,
Há uma luz que se ilumina,
Uma cor que pinta a folha de vermelho.

Tempestades de Verões,
Esplanadas em verso,
Concretizo-me na madrugada do meu regresso.

Porque fui talvez alguém que não sou
E sou quem hei-de ser,
Economias dispersas,
Tolices de chamas, fogo da ilusão,
Mais uma noite e morro,
Mais teatros dispersos 
De dias que custam tanto,
É tão real o que me custa
E tão melancólico que me perco.