Um ser, uma miragem,
Uma voz perdida que me diz algo.
Debaixo da minha janela
Espreito a figura veloz.
Um momento solto, só estamos nós
Temporal bravio,
A figura esconde-se por debaixo de uma árvore.
Eu espreito a figura fugidia,
Sorrio ao ver que ali estaria mais confortável.
Sou ser livre, não gosto de amarras.
Uma bica, um cigarro,
Horas avançadas,
Concentro-me no meu trabalho,
A minha condição de fazer tempo para nada.
É sono, melancolia e cafeína a soluçar
Desta caneta, muleta de um corpo a latejar.
Encosto-me em suave letargia e deixo-me ir
Na precisa tinta de sonhos ainda por sentir.
domingo, 16 de março de 2008
O Amor
Recordo todo o meu passado em breves instantes
E fico circunspecto ao amor.
Se o senti, passou...
A memória estorva certos momentos,
A história passa, tal como todas as desilusões, actos falhados.
Faz cócegas no afecto?
Faz esquecer o dia a dia de rotina e tédio?
Poderia tecer considerações,
Cantigos de alma,
As ausências, o louvor,
A espera que desespera,
Frio na espinha.
Mas o que é?
Lembrança sentimental, valor?
A minha alma é a conta.
Factura elevada,
Não obedece a números, letras ou sermões.
A minha alma perturbada...
Quantas vezes fiz de conta,
Uma conta que não tem conta.
A alma pertence,
O corpo não,
O corpo não me pertence,
A alma, a solidão.
A conta, tantas vezes a conta afiada no meu coração...
Eu faço de conta, tantas vezes,
Outras contas por mim mesmo.
A escrita que me invade é a do sentimento,
Sentimento inconsequente,
Espelho que aponta a razão.
E fico circunspecto ao amor.
Se o senti, passou...
A memória estorva certos momentos,
A história passa, tal como todas as desilusões, actos falhados.
Faz cócegas no afecto?
Faz esquecer o dia a dia de rotina e tédio?
Poderia tecer considerações,
Cantigos de alma,
As ausências, o louvor,
A espera que desespera,
Frio na espinha.
Mas o que é?
Lembrança sentimental, valor?
A minha alma é a conta.
Factura elevada,
Não obedece a números, letras ou sermões.
A minha alma perturbada...
Quantas vezes fiz de conta,
Uma conta que não tem conta.
A alma pertence,
O corpo não,
O corpo não me pertence,
A alma, a solidão.
A conta, tantas vezes a conta afiada no meu coração...
Eu faço de conta, tantas vezes,
Outras contas por mim mesmo.
A escrita que me invade é a do sentimento,
Sentimento inconsequente,
Espelho que aponta a razão.
sábado, 15 de março de 2008
Retrato
O silêncio, a ausência de vozes tristes.
O mistério nocturno, esparso.
O som do sonho,
A amplidão do mar,
A côr do sangue,
A sofreguidão de não amar.
Lume brando em acendalha mortiça,
O meu corpo cansado,
Cabeça , corpo alvoraçados.
Lembro a solidão,
A janela ampla
Enredo, novelo, espelho
Janela solta,
Conquista.
O meu retrato?
A angústia de personagem num enredo fatalista,
Sombra de vontade,
A verdade da razão derrotista.
O mistério nocturno, esparso.
O som do sonho,
A amplidão do mar,
A côr do sangue,
A sofreguidão de não amar.
Lume brando em acendalha mortiça,
O meu corpo cansado,
Cabeça , corpo alvoraçados.
Lembro a solidão,
A janela ampla
Enredo, novelo, espelho
Janela solta,
Conquista.
O meu retrato?
A angústia de personagem num enredo fatalista,
Sombra de vontade,
A verdade da razão derrotista.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
O Amanha
Passeio solto em retalhos de casualidades sonâmbulas.
Esparso, curioso e solto ou lento, amorfo.
Desdem, desdenho-me,
Sim, busco o impossível,
Sou eu o acaso ou o que não estava previsto acontecer.
O sonho, a minha verdade.
Uma vida é composta por dias, horas, anos, minutos,
Eu não tenho relógio nem sentido de orientação.
O amanhã é sempre o mesmo dia que ja passou.
Esparso, curioso e solto ou lento, amorfo.
Desdem, desdenho-me,
Sim, busco o impossível,
Sou eu o acaso ou o que não estava previsto acontecer.
O sonho, a minha verdade.
Uma vida é composta por dias, horas, anos, minutos,
Eu não tenho relógio nem sentido de orientação.
O amanhã é sempre o mesmo dia que ja passou.
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Domingo
O dia de Domingo é calmo e desértico,
Mar de complacência terna.
A musica que passa é um sussurrar suave,
Leve brisa de final de tarde.
Vozes que chamam o meu nome,
Mas eu não presto atenção, estou paralisado
Presente num futuro de brava sabedoria.
Nunca é esta a minha realidade.
A voz distante do destino sem razão que suspira por mim é talvez chamamento divino,
Nesta permaneço atento, há vozes que me seguem...
A Terra vive, chora, chora-se, há um eterno peso de magia.
Uma leve película de aragem silvestre envolve-me suavemente os sentidos.
As horas do sino da igreja que ouço pelo ar
Invocam-me imagens maritimas, distantes,
Miragens desmaiadas, sem corpo nem espaço.
Eu eterno náufrago sem rumo...
Olho o céu,
O brilho das estrelas são como olhos de Deus
Guiando-me no mistério cego da fé.
Mar de complacência terna.
A musica que passa é um sussurrar suave,
Leve brisa de final de tarde.
Vozes que chamam o meu nome,
Mas eu não presto atenção, estou paralisado
Presente num futuro de brava sabedoria.
Nunca é esta a minha realidade.
A voz distante do destino sem razão que suspira por mim é talvez chamamento divino,
Nesta permaneço atento, há vozes que me seguem...
A Terra vive, chora, chora-se, há um eterno peso de magia.
Uma leve película de aragem silvestre envolve-me suavemente os sentidos.
As horas do sino da igreja que ouço pelo ar
Invocam-me imagens maritimas, distantes,
Miragens desmaiadas, sem corpo nem espaço.
Eu eterno náufrago sem rumo...
Olho o céu,
O brilho das estrelas são como olhos de Deus
Guiando-me no mistério cego da fé.
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Tudo e Nada
Diálogos esparsos, casuais, sonhos reveladores.
Um cigarro ao vento.
Alguém me faz uma pergunta.
Não sei responder.
Gostaria muito de poder alcançar o mar, as estrelas, o amor, a eternidade
Porventura dialogar palavras no mar de conquista de felicidade
A mágoa de virtude, solidão enredada.
Triste a minha condição de sofrer por tudo e por nada.
Um cigarro ao vento.
Alguém me faz uma pergunta.
Não sei responder.
Gostaria muito de poder alcançar o mar, as estrelas, o amor, a eternidade
Porventura dialogar palavras no mar de conquista de felicidade
A mágoa de virtude, solidão enredada.
Triste a minha condição de sofrer por tudo e por nada.
sábado, 2 de fevereiro de 2008
O Louco
O louco estende-se na soleira da porta.
Anoitecem-lhe os olhos de choro soluçado.
As olheiras, as rugas, o rosto cansado.
O céu persegue-lhe a mente, a lua guia-o no seu caminho,
No casaco, suavemente, acaricia a história de um amor perdido.
Cumpre o mistério divino e secreto da eternidade.
Muito baixinho recita uma oração de igreja
E pede com todo o fervor por um amanhã de realidade.
Anoitecem-lhe os olhos de choro soluçado.
As olheiras, as rugas, o rosto cansado.
O céu persegue-lhe a mente, a lua guia-o no seu caminho,
No casaco, suavemente, acaricia a história de um amor perdido.
Cumpre o mistério divino e secreto da eternidade.
Muito baixinho recita uma oração de igreja
E pede com todo o fervor por um amanhã de realidade.
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