Engraçado este jeito de melancolia como pranto,
Como serenar de alma
Ou luz azul num corpo que dói,
Trágico punhal de madrugada cinzenta,
Arrasta o movimento e as vozes nas árvores de cal,
Num dia vi o castelo arder,
Vi o limite e o canto,
A festa de sabores da carne,
A luz é um instrumento de tortura
E permaneço apagado no instante de lucidez,
Na majestade.
Grito a paz e o conceito,
A tarde que enterro os pés no lume
Que aceno um segundo como riscar de fósforo,
A impotência de liberdade nesta droga de convalescença,
O fascínio morreu como cruz
E já não interessa o riso ou o que entra ou o que sai
De mim,
De meu corpo bonecos de alma
Que transpira imagens
E amaina o navio como pavio de vela
Na cama desatada,
Na televisão enlatada,
No império de sentidos e pecados,
Nas cadeiras de veludo,
Os nomes são uma circunferência ao trágico momento
Que faço de conta como julgamento
Que não decido,
Não voto e emudeço ao verso,
Ao soco do momento intruso
E escapo com vida,
Impune como mundo que gira,
Como papel de actor que morre em cena,
Na cidade de vento e sons e um suspiro de gramática
Que gesticula ditados e ditongos angulares de transcendência e sublime.
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Acordar dos Sentidos
Como é mágico o acordar dos sentidos,
Abrem-se os olhos na penumbra de noite e nascer de Sol,
A subjectividade do crânio e o sonho que morde o espelho cansado de imagens,
A certeza que posso ser feliz e uma nuvem treme de dor,
De tudo o que vi um mistério ou enigma,
A manhã abre-se em flor na saia de uma rapariga que morde conceitos,
E sei que não torno a viver,
Sei o meu fado cansado,
Sei-o de cor e sei as silabas
De poema que se transforma nas horas,
Instantes de pensamento que dou, inocentemente,
Ao leitor para ler o sistema de regras,
A escura e imagética linguagem de olhos que coçam as palavras
Como formigas de enredo,
Trabalham incansáveis carregando a sabedoria de esperança,
Tal como os pássaros cantam e os ratos fogem,
A poesia é mais que verso ou conteúdo ou significado,
É um conjunto de um ser dois e dois ser mais que tudo.
Ninguém traduz o olhar doente de um animal,
A escada de flores e a maldade de acidente
Provocado na marginal face de perdão que carrego
No decorrer de uma eternidade.
Abrem-se os olhos na penumbra de noite e nascer de Sol,
A subjectividade do crânio e o sonho que morde o espelho cansado de imagens,
A certeza que posso ser feliz e uma nuvem treme de dor,
De tudo o que vi um mistério ou enigma,
A manhã abre-se em flor na saia de uma rapariga que morde conceitos,
E sei que não torno a viver,
Sei o meu fado cansado,
Sei-o de cor e sei as silabas
De poema que se transforma nas horas,
Instantes de pensamento que dou, inocentemente,
Ao leitor para ler o sistema de regras,
A escura e imagética linguagem de olhos que coçam as palavras
Como formigas de enredo,
Trabalham incansáveis carregando a sabedoria de esperança,
Tal como os pássaros cantam e os ratos fogem,
A poesia é mais que verso ou conteúdo ou significado,
É um conjunto de um ser dois e dois ser mais que tudo.
Ninguém traduz o olhar doente de um animal,
A escada de flores e a maldade de acidente
Provocado na marginal face de perdão que carrego
No decorrer de uma eternidade.
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Respiração
Ontem talvez sonhasse que hoje não se repetiria,
A manhã louca de me erguer derrotado, vencido,
A indiferença da hora, da calma,
Que faço eu aqui somente eu espelho de virtudes e interrogações
Esparso e sonâmbulo,
Arrastando símbolos, resolvendo equações,
E ouço canções,
Ouço canções de repetições,
A melodia na voz de um cantor,
Sugere, um timbre de sonho,
A irrealidade teatro das sombras em contraluz,
A velocidade é slow-motion,
Quando olho uma pomba voa,
Quando sufoco o que sinto um reclame chama a atenção,
Tragicamente esforço a psicologia das palavras,
Articulo o pensar em metafísica de qualquer coisa que respira nestas frases nuas,
A pele dos dias,
A ignorância da miragem,
A estátua que repousa em mim.
A manhã louca de me erguer derrotado, vencido,
A indiferença da hora, da calma,
Que faço eu aqui somente eu espelho de virtudes e interrogações
Esparso e sonâmbulo,
Arrastando símbolos, resolvendo equações,
E ouço canções,
Ouço canções de repetições,
A melodia na voz de um cantor,
Sugere, um timbre de sonho,
A irrealidade teatro das sombras em contraluz,
A velocidade é slow-motion,
Quando olho uma pomba voa,
Quando sufoco o que sinto um reclame chama a atenção,
Tragicamente esforço a psicologia das palavras,
Articulo o pensar em metafísica de qualquer coisa que respira nestas frases nuas,
A pele dos dias,
A ignorância da miragem,
A estátua que repousa em mim.
Imortalidade
Não me conformo,
A impaciência através de um copo transparente,
Vazio de imagens, cor,
É urgente o vício
De mil horas
Num cronómetro
Descompassado,
Corrida, planície,
Corro e não ando,
Estático no meu pensar,
Atropelo o real do eu,
Só eu me sei,
Todos somos o que ocultamos,
Pois o pensamento não tem som.
Talvez alimentamos electrodomésticos
E esquecemos de pensar,
Talvez haja a fuga à liberdade,
Somos o que não queremos,
Talvez autómatos,
Talvez o sonho é o alimento da alma
E morreremos até na ambição da imortalidade da alma.
A impaciência através de um copo transparente,
Vazio de imagens, cor,
É urgente o vício
De mil horas
Num cronómetro
Descompassado,
Corrida, planície,
Corro e não ando,
Estático no meu pensar,
Atropelo o real do eu,
Só eu me sei,
Todos somos o que ocultamos,
Pois o pensamento não tem som.
Talvez alimentamos electrodomésticos
E esquecemos de pensar,
Talvez haja a fuga à liberdade,
Somos o que não queremos,
Talvez autómatos,
Talvez o sonho é o alimento da alma
E morreremos até na ambição da imortalidade da alma.
Realidade, Um Segundo
De um copo de maresia se faz poesia,
O delicado ardor, embriagues e doçura,
As luzes ficam turvas como passos alcoolizados
Na madrugada de regresso ao leito que nos espera.
É lenta esta agonia maníaca de minha alma
Errante em busca de limites na imensidão de sombras.
Não deixo o encontro de ansiedades me detenha,
São todos estes dias como vertigem de enganos no céu azul, intenso.
A tua honestidade e desembaraço despi anos atrás nesta memória de calma,
Descalcei a emoção, fiquei descalço, nulo.
Andei muitos anos, procurei a sanidade entre barulhos,
Sons toscos de uma vitrola num quarto de cidade,
A mulher desce timidamente a saia,
Arranjando-se, alindando-se,
Embaraçada por olhares dos homens já de voz solta
Nas mãos com uma garrafa de cerveja.
Quando desci as escadas do vício,
A realidade foi um segundo apenas,
Um luto ou um traje.
O delicado ardor, embriagues e doçura,
As luzes ficam turvas como passos alcoolizados
Na madrugada de regresso ao leito que nos espera.
É lenta esta agonia maníaca de minha alma
Errante em busca de limites na imensidão de sombras.
Não deixo o encontro de ansiedades me detenha,
São todos estes dias como vertigem de enganos no céu azul, intenso.
A tua honestidade e desembaraço despi anos atrás nesta memória de calma,
Descalcei a emoção, fiquei descalço, nulo.
Andei muitos anos, procurei a sanidade entre barulhos,
Sons toscos de uma vitrola num quarto de cidade,
A mulher desce timidamente a saia,
Arranjando-se, alindando-se,
Embaraçada por olhares dos homens já de voz solta
Nas mãos com uma garrafa de cerveja.
Quando desci as escadas do vício,
A realidade foi um segundo apenas,
Um luto ou um traje.
Um dia
O exame de luz,
A radiografia do olhar na penumbra da noite
Fez cem anos, neste momento, na minha mente
E é uma imagem parada o cinema da memória sagrada.
No mundo há uma mão segurando uma flor
Neste câmbio de amor que seguro e entrego desfolhando
A indefinida estação de amor no ritual cego
Que acompanho nesta carência de palavras de não sobrar nada,
Apenas as pétalas perfumadas no cálido beijo
Que deixo a quem quiser colher esta flor
Que irradia do meu peito.
Confesso a impertinência, o que julgo ou o que me dão,
Por vezes não é suficiente estes cem anos,
Acho que um dia chegava para ser feliz,
Acreditem que um dia é imenso na minha vida.
A radiografia do olhar na penumbra da noite
Fez cem anos, neste momento, na minha mente
E é uma imagem parada o cinema da memória sagrada.
No mundo há uma mão segurando uma flor
Neste câmbio de amor que seguro e entrego desfolhando
A indefinida estação de amor no ritual cego
Que acompanho nesta carência de palavras de não sobrar nada,
Apenas as pétalas perfumadas no cálido beijo
Que deixo a quem quiser colher esta flor
Que irradia do meu peito.
Confesso a impertinência, o que julgo ou o que me dão,
Por vezes não é suficiente estes cem anos,
Acho que um dia chegava para ser feliz,
Acreditem que um dia é imenso na minha vida.
Ambições
Respondi nestas frases o indizível de minhas mãos nuas,
A resposta de neves na aurora de dia que nasce em ternura de leve acordar,
Desci ao passado, lamentei-me de indiferenças,
É tão vago o sono e a mágoa,
Assoei-me num lenço, tranquilizei-me e pedi um café,
Desci mais degraus de recordações sonâmbolas, díspares,
Aumentei o meu dia de olhos na penumbra de amanhãs entre portas,
Olhares neutros de multidão que espera,
Já a chuva é um sentimento,
Os meus amigos estão num convés de barco
Atrás do sonho a que tudo resiste,
Sim, estou só e caminho só,
Acho melhor assim este desprendimento,
Esta glória de nada sentir
Como vento da manhã agitando os ramos às árvores toscas,
Fumo cigarros despidos, a nicotina acalma,
Deixei as noites penduradas em relógios na cama que tudo esquece,
Meu coração é uma pétala de algodão,
Uma nuvem, um lamento, uma ilusão,
É um dia de Natal em que desenho na janela o meu nome,
Através dos tempos não vi mais que um arrastar,
Um acenar sombrio, uma estátua de melodias na pauta de música da minha vida tão frágil,
A originalidade há muito está gasta numa engrenagem sem o maquinal condão de emocionar,
Estou parado,
Sou um rato, um bicho qualquer,
O que quiserem,
As definições já nada revelam,
A palavra está morta,
É um retalho de circular em contra-mão,
Um afago que se gosta como espelho de tudo o que poderiamos ser
Como se não olhássemos por dentro das nossas ambições já defuntas.
A resposta de neves na aurora de dia que nasce em ternura de leve acordar,
Desci ao passado, lamentei-me de indiferenças,
É tão vago o sono e a mágoa,
Assoei-me num lenço, tranquilizei-me e pedi um café,
Desci mais degraus de recordações sonâmbolas, díspares,
Aumentei o meu dia de olhos na penumbra de amanhãs entre portas,
Olhares neutros de multidão que espera,
Já a chuva é um sentimento,
Os meus amigos estão num convés de barco
Atrás do sonho a que tudo resiste,
Sim, estou só e caminho só,
Acho melhor assim este desprendimento,
Esta glória de nada sentir
Como vento da manhã agitando os ramos às árvores toscas,
Fumo cigarros despidos, a nicotina acalma,
Deixei as noites penduradas em relógios na cama que tudo esquece,
Meu coração é uma pétala de algodão,
Uma nuvem, um lamento, uma ilusão,
É um dia de Natal em que desenho na janela o meu nome,
Através dos tempos não vi mais que um arrastar,
Um acenar sombrio, uma estátua de melodias na pauta de música da minha vida tão frágil,
A originalidade há muito está gasta numa engrenagem sem o maquinal condão de emocionar,
Estou parado,
Sou um rato, um bicho qualquer,
O que quiserem,
As definições já nada revelam,
A palavra está morta,
É um retalho de circular em contra-mão,
Um afago que se gosta como espelho de tudo o que poderiamos ser
Como se não olhássemos por dentro das nossas ambições já defuntas.
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