Os olhos choram a cor de estilhaço
No espaço da órbita tão perdida
No centro da emoção parada
Do silenciar de uma lágrima.
Por favor, quero silêncio,
Morre o pano, o enredo,
A manhã dos nevoeiros,
A dor.
Deposito uma esperança de vela,
Talvez incendiarei uma luz perdida ao longe,
Um traço de azul no céu,
Eu sei sou neutro como balança dos nossos elementos.
As rugas são vincadas na inocência ainda da memória olhar,
É um verbo que se perde no imenso infinito,
A verdade é ainda um mito difuso.
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Dezembro Em Minha Alma
A nobreza, sentimentos dispersos
Como nuvem ou tacto dos objectos sensíveis,
Comunguei a essência de estar vivo,
Atroz e rastejando em memórias como restos, em imagens e não só,
Andei entre paredes de branca cal e perfumes de violetas,
Acalmei a ânsia de ser só
E pasmo quando sou um objecto que é sensível,
Sinto como pairando numa árvore de emoções adormecidas,
Sim a trivialidade faz parte, todos somos verdes e rosas, pálidos e negros,
Mas sentimentos movem-se na fogueira consumida de cinzas, apagada,
É Dezembro em minha alma,
No calendário dos sonhos de todos os dias.
Como nuvem ou tacto dos objectos sensíveis,
Comunguei a essência de estar vivo,
Atroz e rastejando em memórias como restos, em imagens e não só,
Andei entre paredes de branca cal e perfumes de violetas,
Acalmei a ânsia de ser só
E pasmo quando sou um objecto que é sensível,
Sinto como pairando numa árvore de emoções adormecidas,
Sim a trivialidade faz parte, todos somos verdes e rosas, pálidos e negros,
Mas sentimentos movem-se na fogueira consumida de cinzas, apagada,
É Dezembro em minha alma,
No calendário dos sonhos de todos os dias.
Olhos de Luz
Espírito de sombras,
A cor improvável de tuas mãos no meu peito ansioso,
A destreza de palavras e emoção de riso descontente
Numa praça abandonada,
Um dia de Verão gasto.
Corpos de sinais e melodias triunfantes,
Odes ao mágico nascer do dia,
A erva do jardim demora no seu abraço de perfume multicolor.
Faz sentido por vezes sentir o dia e o calor ameno da estação,
Grito demorado na distância de número,
Lembrei-me de calar
E esqueci-me de letras e livros,
De seduzir o que já não é ritmo,
Creio na sagrada imagem do meu sonho,
No solene adormecer inanimado que me pertence,
A missão de erguer o dia nos meus olhos de luz.
A cor improvável de tuas mãos no meu peito ansioso,
A destreza de palavras e emoção de riso descontente
Numa praça abandonada,
Um dia de Verão gasto.
Corpos de sinais e melodias triunfantes,
Odes ao mágico nascer do dia,
A erva do jardim demora no seu abraço de perfume multicolor.
Faz sentido por vezes sentir o dia e o calor ameno da estação,
Grito demorado na distância de número,
Lembrei-me de calar
E esqueci-me de letras e livros,
De seduzir o que já não é ritmo,
Creio na sagrada imagem do meu sonho,
No solene adormecer inanimado que me pertence,
A missão de erguer o dia nos meus olhos de luz.
Fragmento de Alma
As palavras sangram no som de palavra,
Adornos da palavra,
Ouvem-se em esquinas, em palácios negros, em prantos de aias ancestrais.
Em breve esquecem o significado,
O seu mitigar,
O silêncio faz todo o sentido depois de se ouvir o momento do corpo se despir,
A simbiose de verbos
Na acção da manhã doente.
Toda esta minha viagem ao percorrer as letras
Que juntei para numa mão fechada
E te dei a ler aos teus olhos de leitor
Atravessaram a imaginação,
A transfiguração de um espaço de intelecto,
Medicamento doseado em ferida de quem chora o fragmento desolador de sua alma.
Adornos da palavra,
Ouvem-se em esquinas, em palácios negros, em prantos de aias ancestrais.
Em breve esquecem o significado,
O seu mitigar,
O silêncio faz todo o sentido depois de se ouvir o momento do corpo se despir,
A simbiose de verbos
Na acção da manhã doente.
Toda esta minha viagem ao percorrer as letras
Que juntei para numa mão fechada
E te dei a ler aos teus olhos de leitor
Atravessaram a imaginação,
A transfiguração de um espaço de intelecto,
Medicamento doseado em ferida de quem chora o fragmento desolador de sua alma.
Dor de Pântano
Sempre a mesma lucidez irreal,
A luz aparente,
Encenação de cigarro na calada da noite,
Um miradouro sobre Lisboa,
Que perdição...
A forma lúcida das formas circulares de fumo na calada da noite ,
Um gemido aparente de dor
Neste jeito de gemer calado
A angústia do escuro pensamento circular,
É perpendicular na manhã que atravesso no sono
De minha vida.
Linhas escusas, serenas e toscas que não compreendo,
Maldito destino,
Desdizer de sonho,
Aprender a lição sem regras
A dor de pântano.
A luz aparente,
Encenação de cigarro na calada da noite,
Um miradouro sobre Lisboa,
Que perdição...
A forma lúcida das formas circulares de fumo na calada da noite ,
Um gemido aparente de dor
Neste jeito de gemer calado
A angústia do escuro pensamento circular,
É perpendicular na manhã que atravesso no sono
De minha vida.
Linhas escusas, serenas e toscas que não compreendo,
Maldito destino,
Desdizer de sonho,
Aprender a lição sem regras
A dor de pântano.
Por Si Só
Havia um burro que fugia,
Havia um astro de mármore
E os dias eram leões de circo no palco de todos os dias.
Penteava os cabelos que escureciam a luz do céu de estrelas,
Era noite em Lisboa como qualquer outro sítio igual e distante,
As estrelas eram brilhantes,
Queria uma estrela que a metia no cabelo
E uma Lua de ilusão junto de mim,
Era breve o sonho imenso,
Era eu num quadro,
É a minha alma de luz,
Setembro era pálido para a luz de eu mesmo
E colhia orações de ramos de árvores no meu pensamento.
O vento e os moinhos de cores garridas,
A trágica condição de sobreviver sofregamente em três actos,
Em sereno endoidecer plantei pistas de roupas,
Versos incompletos e palavras com silêncios
Como uma tarde em que miro a minha imagem,
Espelho inconstante por si só.
Havia um astro de mármore
E os dias eram leões de circo no palco de todos os dias.
Penteava os cabelos que escureciam a luz do céu de estrelas,
Era noite em Lisboa como qualquer outro sítio igual e distante,
As estrelas eram brilhantes,
Queria uma estrela que a metia no cabelo
E uma Lua de ilusão junto de mim,
Era breve o sonho imenso,
Era eu num quadro,
É a minha alma de luz,
Setembro era pálido para a luz de eu mesmo
E colhia orações de ramos de árvores no meu pensamento.
O vento e os moinhos de cores garridas,
A trágica condição de sobreviver sofregamente em três actos,
Em sereno endoidecer plantei pistas de roupas,
Versos incompletos e palavras com silêncios
Como uma tarde em que miro a minha imagem,
Espelho inconstante por si só.
Ritmo
Florete de marfim mata a espada,
Moeda de latão não paga nada,
A tolice brejeira num café, numa esplanada,
Uns pássaros no horizonte, umas cervejas, umas graçolas.
Em breve o dia finda,
Outro mapa, outro guia,
Outra coluna, estátuas,
Cinza e um tom rosado na face
Como mulheres delicadas e leques,
Como tudo ou nada.
Moeda de latão não paga nada,
A tolice brejeira num café, numa esplanada,
Uns pássaros no horizonte, umas cervejas, umas graçolas.
Em breve o dia finda,
Outro mapa, outro guia,
Outra coluna, estátuas,
Cinza e um tom rosado na face
Como mulheres delicadas e leques,
Como tudo ou nada.
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