Trovas disformes e intrusivas,
Momentos de fuga ou dispersão,
O barulho inútil, o gemido que afasta a calma,
O rugido indecente, a nefasta putrefação,
A marcha enredada de vício, o latido demente,
O perfume rasgando o ar, a cálida lembrança,
A asa da luta arfando a um canto do corpo,
São ondas em bravo oceano,
As faces da alma, a cor breve e serena que dorme,
A influência sideral ou transcendente ou inumana,
Ou amplificação do nada no que resta de sentir como migalhas de pão,
A cobiça de nervos ou sobretudo acordar o dia
Respirando noite na montanha dos vales e rios,
No ritmo domesticado do vento
Que enredado no fado encadeia sua resistência.
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
Mente
Há um determinado estado ou sujeito lento e disforme
Na vasta lenga-lenga visual do tédio de rua,
Ritmo encasacado ou vasto e inútil
Como cor marfim no relevo semi plano do tempo.
A imagem consome o frio, a passos crus do costume
Que varia a tradição de mundo,
A margem escolhe o leito que cansado fico,
O Outono resvela em cadências inumanas, em tons pastel,
Em faces e mitos urbanos que bramem a invariável ironia real e passagem à cálida flor que nos chama,
O vento anuncia rastos e corpos sempre nus na paisagem do íntimo,
Em breve emudeço, em segredo a paz do cheiro da pele,
Se fico ou vou se hesito ou permaneço
É um ritmo desatento que enredado de palavras que murcham a simetria
Fazem a linha plana ondear no desnível sideral e corporal da mente.
Na vasta lenga-lenga visual do tédio de rua,
Ritmo encasacado ou vasto e inútil
Como cor marfim no relevo semi plano do tempo.
A imagem consome o frio, a passos crus do costume
Que varia a tradição de mundo,
A margem escolhe o leito que cansado fico,
O Outono resvela em cadências inumanas, em tons pastel,
Em faces e mitos urbanos que bramem a invariável ironia real e passagem à cálida flor que nos chama,
O vento anuncia rastos e corpos sempre nus na paisagem do íntimo,
Em breve emudeço, em segredo a paz do cheiro da pele,
Se fico ou vou se hesito ou permaneço
É um ritmo desatento que enredado de palavras que murcham a simetria
Fazem a linha plana ondear no desnível sideral e corporal da mente.
Acabar
O futuro encarcerado em vozes e máscaras, em pele, nervos, sentidos,
A visão de estudo rude,
Processo em silêncio e mácula,
A treva irreal que encerra a peça em frenético desatino
Como um deslumbramento ou idiotia trivial, desencanto
Ou leitura de enganos, quando pouco ou muito se equivalem,
A subida na escala que cai no precipício,
A luxúria casual, a alma e seus vários planos,
Andar fugindo, fatigado de ventos e ferozes assuntos
Que calam a passagem do tempo, a fraqueza e a aspereza,
O conforto que dói, isto que nada acalma,
Resistir no conteúdo e dormindo na história, o jogo das palavras,
Contando gestos, a preguiça de acordar,
A idade que escapa, o acto ou desato,
O café que ainda lembro,
O Inverno que descubro lento ou teatral de crescer,
O toque na perna, o piano residual que ouço ao infinito de me perder,
O palco da palavra que conversa e o encantamento de ouvir a árvore e suas folhas por dentro,
A planície da descoberta,
Roupas a um canto do quarto ou convés e bafio,
O folclore diário, o riso e seus derivados, um grito, um copo na estrada, um baloiço,
Um drama ou folhetim ou a calma de evitar,
A ciência da escolha ou o momento neutro de casulo
Que encerra o capítulo de estudar olhos atentos num livro de almas
Que por vezes faz o corpo respirar ou perceber que nunca estamos sós
No início e fim de acabar.
A visão de estudo rude,
Processo em silêncio e mácula,
A treva irreal que encerra a peça em frenético desatino
Como um deslumbramento ou idiotia trivial, desencanto
Ou leitura de enganos, quando pouco ou muito se equivalem,
A subida na escala que cai no precipício,
A luxúria casual, a alma e seus vários planos,
Andar fugindo, fatigado de ventos e ferozes assuntos
Que calam a passagem do tempo, a fraqueza e a aspereza,
O conforto que dói, isto que nada acalma,
Resistir no conteúdo e dormindo na história, o jogo das palavras,
Contando gestos, a preguiça de acordar,
A idade que escapa, o acto ou desato,
O café que ainda lembro,
O Inverno que descubro lento ou teatral de crescer,
O toque na perna, o piano residual que ouço ao infinito de me perder,
O palco da palavra que conversa e o encantamento de ouvir a árvore e suas folhas por dentro,
A planície da descoberta,
Roupas a um canto do quarto ou convés e bafio,
O folclore diário, o riso e seus derivados, um grito, um copo na estrada, um baloiço,
Um drama ou folhetim ou a calma de evitar,
A ciência da escolha ou o momento neutro de casulo
Que encerra o capítulo de estudar olhos atentos num livro de almas
Que por vezes faz o corpo respirar ou perceber que nunca estamos sós
No início e fim de acabar.
sexta-feira, 24 de novembro de 2017
A Peça
Sobe em cena a peça nua,
O corpo dormente,
A asa escrita,
A alma crua,
O ensaio de artefacto constipado,
A homenagem pré ou pós moderna, tanto faz,
A semi-breve súplica de pauta, rasto macio,
Mimetismo de olfato em horizonte de domingo em contra-luz,
A peça lenta, porque breve senão em harmonia de batuta orquestral
Na sala moída de silêncios e andrajos
E cimento nos cantos de fim,
Estátua adormecida e nunca estática,
Por nada que possível ou concreto,
Momento de horas tácteis
E nexos mágicos da cor de sonho quase reconhecíveis mas factuais
Como ângulos abstratos em papel pardo,
Como um actor que recria a história num acto,
Um vago cheiro bas-fond,
O piano, a cortina, o código morse.
O corpo dormente,
A asa escrita,
A alma crua,
O ensaio de artefacto constipado,
A homenagem pré ou pós moderna, tanto faz,
A semi-breve súplica de pauta, rasto macio,
Mimetismo de olfato em horizonte de domingo em contra-luz,
A peça lenta, porque breve senão em harmonia de batuta orquestral
Na sala moída de silêncios e andrajos
E cimento nos cantos de fim,
Estátua adormecida e nunca estática,
Por nada que possível ou concreto,
Momento de horas tácteis
E nexos mágicos da cor de sonho quase reconhecíveis mas factuais
Como ângulos abstratos em papel pardo,
Como um actor que recria a história num acto,
Um vago cheiro bas-fond,
O piano, a cortina, o código morse.
Papel
Há um território denso e neutro
Na face de um papel,
Esboçam-se letras, imagens, teorias,
Um mar calmo de desejos, uma emoção perdida, um queixume,
Um mundo discreto e fundo na imagética lisa e branca da folha,
Do inicio e fim, na inspiração, no desaire e no estilo do poeta,
Na conversa entabulada como segredo ou enredo que rompe barreiras
Que foge a estereótipos ou cálculos aritméticos,
Pois a confissão normalmente é uma reza
Como imagem espelho, como calma lúcida,
Como algo em sintonia e áspero no tacto de perceber,
A história embevecida ou rude no sentimento,
Há várias leituras e o que ficou por dizer e o que se sub-entende,
E a metafísica escondida e a metáfora sorridente
E o que a palavra não alcança e tudo o que o leitor percebe
E o código e o adorno gramatical e a figura de estilo
E o silêncio e a cumplicidade.
São as faces do papel, a sua expressão,
O seu jeito de sorrir, nos acarinhar,
De fugir ou apenas se manifestar.
Na face de um papel,
Esboçam-se letras, imagens, teorias,
Um mar calmo de desejos, uma emoção perdida, um queixume,
Um mundo discreto e fundo na imagética lisa e branca da folha,
Do inicio e fim, na inspiração, no desaire e no estilo do poeta,
Na conversa entabulada como segredo ou enredo que rompe barreiras
Que foge a estereótipos ou cálculos aritméticos,
Pois a confissão normalmente é uma reza
Como imagem espelho, como calma lúcida,
Como algo em sintonia e áspero no tacto de perceber,
A história embevecida ou rude no sentimento,
Há várias leituras e o que ficou por dizer e o que se sub-entende,
E a metafísica escondida e a metáfora sorridente
E o que a palavra não alcança e tudo o que o leitor percebe
E o código e o adorno gramatical e a figura de estilo
E o silêncio e a cumplicidade.
São as faces do papel, a sua expressão,
O seu jeito de sorrir, nos acarinhar,
De fugir ou apenas se manifestar.
Composição
A sorte em vida, alma em luta desigual e crua,
A arma dos sonhos embevecida em utópicos jeitos carmesins,
Em delicados amanheceres púrpura e em trejeitos de subtileza
O corpo manifesta a sua onda de união ao que mais deseja,
A face pálida dos afectos, a alegre sabedoria, o concreto em sintonia,
Tudo é um passo face ao grito da estepe enquanto sorrimos,
Enquanto enredamos, enquanto nivelamos em movimentos de corda
E acendemos um cigarro no escuro acto de envolvente lâmina que ao longe sussura uma canção,
Ouvimos o som do piano da infância e sonhamos contudo no presente em teias de assuntos desiguais e alfabéticos,
Números incertos e sobretudo sobrevivemos enquanto caminhamos despidos de algo que rói por dentro
E navega em mares de planície e emoção que apagamos como vela e fingimos um outro eu.
A arma dos sonhos embevecida em utópicos jeitos carmesins,
Em delicados amanheceres púrpura e em trejeitos de subtileza
O corpo manifesta a sua onda de união ao que mais deseja,
A face pálida dos afectos, a alegre sabedoria, o concreto em sintonia,
Tudo é um passo face ao grito da estepe enquanto sorrimos,
Enquanto enredamos, enquanto nivelamos em movimentos de corda
E acendemos um cigarro no escuro acto de envolvente lâmina que ao longe sussura uma canção,
Ouvimos o som do piano da infância e sonhamos contudo no presente em teias de assuntos desiguais e alfabéticos,
Números incertos e sobretudo sobrevivemos enquanto caminhamos despidos de algo que rói por dentro
E navega em mares de planície e emoção que apagamos como vela e fingimos um outro eu.
A Verdade
A verdade é um enigma que sempre racionalizamos.
Mas porém sempre fugimos dela,
Há um magnetismo compulsivo ou omnipresente ou convalescente que nos obriga a ocultar,
A transgredir ou mentir, pois as contradições são a face visível do ser.
Posso ler a mentira ou o sonho porque o registo cruel me obriga a isso,
Há ambição no oculto, no faz de conta
E por vezes a isso se chama arte.
Mesmo em código o processo é semelhante pois as imagens fundem-se nesta linguagem
E assim supomos ou percebemos ou filtramos a mensagem subliminar ou não no aspecto a que nos concerne,
A imagem veste adornos e é simbiótica no assunto,
Pois é ela que veste o sonho e nos deixa voar.
Mas porém sempre fugimos dela,
Há um magnetismo compulsivo ou omnipresente ou convalescente que nos obriga a ocultar,
A transgredir ou mentir, pois as contradições são a face visível do ser.
Posso ler a mentira ou o sonho porque o registo cruel me obriga a isso,
Há ambição no oculto, no faz de conta
E por vezes a isso se chama arte.
Mesmo em código o processo é semelhante pois as imagens fundem-se nesta linguagem
E assim supomos ou percebemos ou filtramos a mensagem subliminar ou não no aspecto a que nos concerne,
A imagem veste adornos e é simbiótica no assunto,
Pois é ela que veste o sonho e nos deixa voar.
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