Tenho a vontade de tudo querer abraçar,
Todos os sonhos, angústias, a minha solidão,
Receio monstros de ilusão em minha testa febril, demente,
A noite é tudo o que quero esquecer,
Escavar buracos em letras passageiras,
Nela enterrar bem fundo o mistério das horas da noite
Perdidas em minha memória.
Minha mente é um embaraço,
O meu corpo uma caravela que se perdeu
Na escura, indefinida noite dos enganos,
Já me multipliquei, transportei, migrei
Em braços de morte,
Amei o que chora, chorei quem me amou
E consegui afogar mágoas em vestidos
Esvoaçantes numa corda de enforcados.
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Nova Linguagem
Palavras caras não te servem,
És palavra tímida como flor, insecto, raiz, cruz,
És talvez nova linguagem,
Analfabeto de imagens que lê em meus olhos um sereno amanhecer.
Eu, eterno indecifrável,
Hieróglifo de noite impaciente,
Elemento místico, música e ritmo,
Alguma coisa de valor.
Vejo-te,
Toco-te, meigo, para te sentir perto.
És um livro de gestos.
Amanhã irei ler novamente
A emoção do que escrevi,
Descobrir nestas ténues palavras que compus,
Talvez conseguir um dia
Tua alma ferida poder conhecer.
És palavra tímida como flor, insecto, raiz, cruz,
És talvez nova linguagem,
Analfabeto de imagens que lê em meus olhos um sereno amanhecer.
Eu, eterno indecifrável,
Hieróglifo de noite impaciente,
Elemento místico, música e ritmo,
Alguma coisa de valor.
Vejo-te,
Toco-te, meigo, para te sentir perto.
És um livro de gestos.
Amanhã irei ler novamente
A emoção do que escrevi,
Descobrir nestas ténues palavras que compus,
Talvez conseguir um dia
Tua alma ferida poder conhecer.
Rosto Adormecido
Camisas vestem a nudez metafísica,
Capacidade de pensar para lá do outro, do que sou,
Ontem cosi uma imagem sagrada em minha face,
Esculpi três vezes o nome mãe.
O meu signo astral, as linhas da mão, o destino,
Feroz sina que entendidos deitam fora do tempo comum,
Suavemente, o eco de uma lágrima.
As estátuas são fronteiras,
As ruas desertas, mórbidas,´
Em jaulas vi o meu futuro
E acenei, despreocupado, ao que me está guardado.
Eis aqui a missão de guerra trivial
Acordar estrelas do silêncio
E pontapentear o Cosmos,
Entranhas do vício que todos os dias me despeço.
Cinzenta e negra a emoção de tinta impressa nos meus olhos,
A alma dorme, descansa,
O sono incomoda a paz
E o acordar penteia a solidão nos meus braços.
Somente permitirei que me acordem
Quem ousar a delicadeza de santidade
De tocar o meu rosto adormecido.
Capacidade de pensar para lá do outro, do que sou,
Ontem cosi uma imagem sagrada em minha face,
Esculpi três vezes o nome mãe.
O meu signo astral, as linhas da mão, o destino,
Feroz sina que entendidos deitam fora do tempo comum,
Suavemente, o eco de uma lágrima.
As estátuas são fronteiras,
As ruas desertas, mórbidas,´
Em jaulas vi o meu futuro
E acenei, despreocupado, ao que me está guardado.
Eis aqui a missão de guerra trivial
Acordar estrelas do silêncio
E pontapentear o Cosmos,
Entranhas do vício que todos os dias me despeço.
Cinzenta e negra a emoção de tinta impressa nos meus olhos,
A alma dorme, descansa,
O sono incomoda a paz
E o acordar penteia a solidão nos meus braços.
Somente permitirei que me acordem
Quem ousar a delicadeza de santidade
De tocar o meu rosto adormecido.
Sentimentos Abstratos
Descubro o que me é invisível,
A monotonia maníaca de vaguear.
Forma de estar como cálculo aritmético,
Quero mais e não sentir o que sinto.
Que resposta social têm para comigo
E este desprezo,
Angústia existencial de adolescente
Mecânico que guarda em si todo o mal estar
De uma vida inerte,
Toda a voracidade de embaraços,
O medo que é curriculum vitae de personalidade.
São lamentos escritos,
Gritos pungentes,
Cicatrizes lunares que queimam o que em mim arde.
A alma não consegue respirar,
Fumo espesso de ansiedades,
Contrariedades.
E quando penso não acho risos,
Apenas este jeito timido de recordar o que esqueço.
Vejo com olhos doentes, químicos,
Sentimentos escusos, absurdos,
Sentimentos abstratos.
A monotonia maníaca de vaguear.
Forma de estar como cálculo aritmético,
Quero mais e não sentir o que sinto.
Que resposta social têm para comigo
E este desprezo,
Angústia existencial de adolescente
Mecânico que guarda em si todo o mal estar
De uma vida inerte,
Toda a voracidade de embaraços,
O medo que é curriculum vitae de personalidade.
São lamentos escritos,
Gritos pungentes,
Cicatrizes lunares que queimam o que em mim arde.
A alma não consegue respirar,
Fumo espesso de ansiedades,
Contrariedades.
E quando penso não acho risos,
Apenas este jeito timido de recordar o que esqueço.
Vejo com olhos doentes, químicos,
Sentimentos escusos, absurdos,
Sentimentos abstratos.
Madrugadas de Memória
Fazer-te tema, assunto,
Dar-te cor, amor, emoção
Como criança que aprende a tabuada
Num pequeno pedaço de papel.
És assim, nada que sou
Nada que me sei,
Verso neutro de coração,
Ritmo cardíaco em cadência,
Exame que, aplicado, estudo
Para te saber.
És tudo aquilo que não sei,
E se desintegra na multidão,
A magia das probabilidades,
Porque não sei definições
E já tudo é a dor das ausências.
Que som tem o virar de página?
E qual o substantivo solar que me ocorre
Quando penso na tua face?
É tudo tão confuso,
O que me lembro
Ao fechar os olhos,
Ao dormir o teu corpo
Presente, ainda, neste noite
Que me atormenta,
Nestas imagens de alma,
Madrugada de memória.
Dar-te cor, amor, emoção
Como criança que aprende a tabuada
Num pequeno pedaço de papel.
És assim, nada que sou
Nada que me sei,
Verso neutro de coração,
Ritmo cardíaco em cadência,
Exame que, aplicado, estudo
Para te saber.
És tudo aquilo que não sei,
E se desintegra na multidão,
A magia das probabilidades,
Porque não sei definições
E já tudo é a dor das ausências.
Que som tem o virar de página?
E qual o substantivo solar que me ocorre
Quando penso na tua face?
É tudo tão confuso,
O que me lembro
Ao fechar os olhos,
Ao dormir o teu corpo
Presente, ainda, neste noite
Que me atormenta,
Nestas imagens de alma,
Madrugada de memória.
Palavra
Árvores, ramos ao vento,
Palavras que se perdem,
Frutos maduros, conceitos nulos.
Fotografias da alma crua,
Atalhos,
Palavras preto no branco,
Folhas e páginas, realidades dispersas,
A página do verso animal
E a fixidez do momento.
Que contemplativo é a origem
Deste estranho mistério
De luz,
Degredo e lucidez da matéria das coisas sensíveis.
Ah, arrancar à palavra o seu inconsciente,
Palavra vã de si mesma
E das cinzas da sua morte
Erguer-se o seu significado imortal.
Na solidão, na imagem,
No que hesito e protesto,
Palavras, a morte é a chama,
Fazei dela a virgula,
Um enredo de uma lágrima,
Um medo que no peito lateja.
Biografia de velório,
Vela,
Pavio incandescente,
Bíblia de todos nós.
E a imensidão de Cristo na superfície,
Palavra, paisagem da sombra de Deus.
Palavras que se perdem,
Frutos maduros, conceitos nulos.
Fotografias da alma crua,
Atalhos,
Palavras preto no branco,
Folhas e páginas, realidades dispersas,
A página do verso animal
E a fixidez do momento.
Que contemplativo é a origem
Deste estranho mistério
De luz,
Degredo e lucidez da matéria das coisas sensíveis.
Ah, arrancar à palavra o seu inconsciente,
Palavra vã de si mesma
E das cinzas da sua morte
Erguer-se o seu significado imortal.
Na solidão, na imagem,
No que hesito e protesto,
Palavras, a morte é a chama,
Fazei dela a virgula,
Um enredo de uma lágrima,
Um medo que no peito lateja.
Biografia de velório,
Vela,
Pavio incandescente,
Bíblia de todos nós.
E a imensidão de Cristo na superfície,
Palavra, paisagem da sombra de Deus.
Continuar Vivo
A sensação, instante de prazer,
A dor evapora o momento que permanece em meu olhar,
Metáforas de amanhãs como árvores de frutos,
Searas de trigo em dia de vento,
Em breve esquecerei o que não sei,
O que quero dizer, o sonho, a imagem, o ser,
Uma blusa igual a tantas outras e a nudez de conceito,
A semente em repouso, o dinheiro parco, moedas na algibeira contadas,
Mas há assunto em palavras que dormem nos meus dedos
E a tempestade é agora neblina,
Que frio, transmito a minha fraqueza em colchões de existência sonâmbula.
Este que eu sou é qualquer coisa assim como desprezo,
Não sei se me gosto de me gostar ou que gostaria que fosse,
Arrasto pedras em sonhos,
Acordo o vago,
A ciência não é perfeita,
Ah como queria que amanhecesse a tranquilidade
E o meu semblante fosse matéria de discussão em ambientes de Outono.
E o mundo? Alguém sabe traduzir o medo de mundo?
Alguém já chorou a hora eterna?
Ah que laço em prisão que oculta a escravidão
E que audácia depois de tudo ainda continuar a vivo.
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