Já perdi a desculpa de meus braços
Em que envolvo o sereno vermelho,
Sangue,
Transparência que circula
Na tarde oculta da minha mente.
Tatuado em desilusões,
O vinho das armas solitárias
Derramam soluções macabras.
Puxo os lençóis,
A roupa da cama,
Até aos pés,
Estou nu e concreto.
Recordações de fisgas e árvores de frutos,
Carnes balofas e também baloiços.
Talvez o leitor não entenda,
Não sinta o horror,
Marginalidade impregnada de gargalhadas
E animais domésticos que ouvem as vozes dos homens.
Ficará bem esta harmonia de som de pétala?
E como custa subir a escada do precipício.
domingo, 18 de maio de 2014
Magno
Sou magno e cruel como voz silenciosa
Que vem de trevas me segredar.
Mistérios da praça pública
Coço-os com uma mão dentro da minha braguilha,
Engana-se quem julga que sou só imagem,
Reles endereço de corpo andarilho.
As palavras triste sina
Transporto-as na madrugada de filmes de qualidade duvidosa,
A eloquência de gestos dispo-os em corpos ausentes.
Sei de mim,
Sabem-me de cor como tabuada,
Que inteligente é o Eusébiozinho do Eça de Queiroz
E de Fernandos anda o mundo cheio como praças de gente inexpressiva, nula.
O contentamento não está nos versos ou reversos,
O que é verdade é o que sinto,
Não o que me pensam
Ou querem impingir como Testemunhas de Jeová
Ou algo pior.
Por vezes é melhor estar calado,
Pois as palavras têm silêncios que só a nós nos diz respeito.
Que vem de trevas me segredar.
Mistérios da praça pública
Coço-os com uma mão dentro da minha braguilha,
Engana-se quem julga que sou só imagem,
Reles endereço de corpo andarilho.
As palavras triste sina
Transporto-as na madrugada de filmes de qualidade duvidosa,
A eloquência de gestos dispo-os em corpos ausentes.
Sei de mim,
Sabem-me de cor como tabuada,
Que inteligente é o Eusébiozinho do Eça de Queiroz
E de Fernandos anda o mundo cheio como praças de gente inexpressiva, nula.
O contentamento não está nos versos ou reversos,
O que é verdade é o que sinto,
Não o que me pensam
Ou querem impingir como Testemunhas de Jeová
Ou algo pior.
Por vezes é melhor estar calado,
Pois as palavras têm silêncios que só a nós nos diz respeito.
sábado, 17 de maio de 2014
Aceno ao Passado
O riso é um defunto,
Morreu como assunto interminável,
A graça não faz rir.
Inquieto-me por este desnorteio
de que a vida me cobriu.
É escura esta realidade,
Corvos, doenças, moralidade,
Tinta preta de tema,
Indolor, volteia como inacção.
O real construiu-se como barreira,
Esqueçam os livros, as palavras, os sonhos,
O que interessa é a renda da casa,
A conta da electricidade.
O circo abandonou a cidade,
O palhaço chorou,
Os trapezistas arrumaram as malas,
Meteram os papéis para a reforma,
Não há dinheiro para cigarros.
Os cinemas também fecharam portas,
Os teatros ninguém assiste,
É como remendo de vício
E uma profunda nostalgia, um silêncio,
Um acenar vago e dolente ao passado.
Morreu como assunto interminável,
A graça não faz rir.
Inquieto-me por este desnorteio
de que a vida me cobriu.
É escura esta realidade,
Corvos, doenças, moralidade,
Tinta preta de tema,
Indolor, volteia como inacção.
O real construiu-se como barreira,
Esqueçam os livros, as palavras, os sonhos,
O que interessa é a renda da casa,
A conta da electricidade.
O circo abandonou a cidade,
O palhaço chorou,
Os trapezistas arrumaram as malas,
Meteram os papéis para a reforma,
Não há dinheiro para cigarros.
Os cinemas também fecharam portas,
Os teatros ninguém assiste,
É como remendo de vício
E uma profunda nostalgia, um silêncio,
Um acenar vago e dolente ao passado.
Liberdade
É sempre esta madrugada de horror,
Não distingo os nomes das coisas,
A revolução faz-se com cravos de choro
Porque tudo mudou em prazeres mínimos
E o Abril é ainda confuso nesta ânsia de ser eterno,
Meus olhos, minha mão ao peito,
Sou português acanhado,
A liberdade não é inocência de conquista,
Dói-me os olhos,
O pranto dos pássaros mortos,
Evoco os tempos de sociedade, a abundância,
Carnes mortas pela Nação
Mães choram os filhos
Que foram gerados nas suas entranhas,
Dois corpos de amor.
Quantas lágrimas ainda por chorar,
O passado é um pranto,
Que futuro me está destinado?
Deito-me sobre decisões de doutores,
Este olhar que se perde como voo de gaivota,
A imensidão de surdez,
Abril não és honesto,
Já pensaram com cabeças lúcidas sobre o que é angústia de liberdade,
Um cão preso numa corrente?
Já pensaram no que é uma gota de chuva
Num dia de Verão na minha face cansada?
Santos, o diabo, paraíso e inferno,
Profetas, mendigos,
O que representa a liberdade?
E o rosto de Cristo está onde?
Desenhado num pacote de cereais que compramos num supermercado?
A liberdade é fé como ilusão de escravidão, uma mensagem?
A liberdade é uma ferida,
Um ato intelectual,
Um trespasse, uma escritura,
Um tempo, uma idade,
Uma morte anunciada.
Não distingo os nomes das coisas,
A revolução faz-se com cravos de choro
Porque tudo mudou em prazeres mínimos
E o Abril é ainda confuso nesta ânsia de ser eterno,
Meus olhos, minha mão ao peito,
Sou português acanhado,
A liberdade não é inocência de conquista,
Dói-me os olhos,
O pranto dos pássaros mortos,
Evoco os tempos de sociedade, a abundância,
Carnes mortas pela Nação
Mães choram os filhos
Que foram gerados nas suas entranhas,
Dois corpos de amor.
Quantas lágrimas ainda por chorar,
O passado é um pranto,
Que futuro me está destinado?
Deito-me sobre decisões de doutores,
Este olhar que se perde como voo de gaivota,
A imensidão de surdez,
Abril não és honesto,
Já pensaram com cabeças lúcidas sobre o que é angústia de liberdade,
Um cão preso numa corrente?
Já pensaram no que é uma gota de chuva
Num dia de Verão na minha face cansada?
Santos, o diabo, paraíso e inferno,
Profetas, mendigos,
O que representa a liberdade?
E o rosto de Cristo está onde?
Desenhado num pacote de cereais que compramos num supermercado?
A liberdade é fé como ilusão de escravidão, uma mensagem?
A liberdade é uma ferida,
Um ato intelectual,
Um trespasse, uma escritura,
Um tempo, uma idade,
Uma morte anunciada.
Esperar por ti
Diz-me qualquer coisa que nada diz,
Diz-me para esperar por ti,
Que demoras pelo meu abraço
Na tua pele nua e distante,
Eterna magia de amante na planície de amor desbravado.
Recolho o teu corpo
Despojado de manhãs ansiosas,
Anjos anunciam a tua palidez,
Para te sonhar acordei-te memória de futuro,
És cor viva,
Todas as sílabas de Verão
Que morre quando o Sol nasce no teu nome,
Flor, erva daninha do nosso deslumbramento.
Timidamente desaparece a nítida imagem
Que desfocou o meu desejo.
Braços percorrem os traços, sinais
Da tua presença,
Ausente, sempre libertadora.
Descobri a tua luz em minhas mãos de espanto,
Breves manhãs.
Canto a solidão,
Todos os perdões,
O grito das aves,
Sangue derramado na minha bandeira da verdade.
Os meus dias inúteis, inconclusivos,
Afastamento e retiro
Como as pedras da calçada.
Diz-me para esperar por ti,
Que demoras pelo meu abraço
Na tua pele nua e distante,
Eterna magia de amante na planície de amor desbravado.
Recolho o teu corpo
Despojado de manhãs ansiosas,
Anjos anunciam a tua palidez,
Para te sonhar acordei-te memória de futuro,
És cor viva,
Todas as sílabas de Verão
Que morre quando o Sol nasce no teu nome,
Flor, erva daninha do nosso deslumbramento.
Timidamente desaparece a nítida imagem
Que desfocou o meu desejo.
Braços percorrem os traços, sinais
Da tua presença,
Ausente, sempre libertadora.
Descobri a tua luz em minhas mãos de espanto,
Breves manhãs.
Canto a solidão,
Todos os perdões,
O grito das aves,
Sangue derramado na minha bandeira da verdade.
Os meus dias inúteis, inconclusivos,
Afastamento e retiro
Como as pedras da calçada.
Desamparo
O sentido da emoção varreu-se para longe do que sinto,
Abandonado, triste,
Desamparo.
A ferida no coração,
Toda esta crueldade ficou
Nos sentimentos usados e desgastados,
Não voltarão a ser os mesmos.
O que vejo é a inexpressão,
O tanto pensar que cansa a recordação,
A sombra de meus passos,
O seu bater, ao de leve, em cadência.
Toda esta mágoa impregnada em metáfora
De ultraje, de real,
Faro de animal,
Pouco de mim sobeja.
Que loucura é sofrer quando nada se sente,
O mundo, uma aparência,
Uma centelha a arder no fogo brando do meu amor mortiço.
Abandonado, triste,
Desamparo.
A ferida no coração,
Toda esta crueldade ficou
Nos sentimentos usados e desgastados,
Não voltarão a ser os mesmos.
O que vejo é a inexpressão,
O tanto pensar que cansa a recordação,
A sombra de meus passos,
O seu bater, ao de leve, em cadência.
Toda esta mágoa impregnada em metáfora
De ultraje, de real,
Faro de animal,
Pouco de mim sobeja.
Que loucura é sofrer quando nada se sente,
O mundo, uma aparência,
Uma centelha a arder no fogo brando do meu amor mortiço.
Palavra Demente
O sino das horas,
Palavras que ecoam no sentido,
A ilusão de assunto,
A palavra é demente de si mesma,
Palavras comem palavras,
Copulam significados,
Geram filhos, ventos, vencimentos,
Sofreguidão de cor, tema de gestos,
São como águia voando no céu,
Planando em busca do sonho.
São tudo o que ambiciono.
Carne de ideia,
Madrugada de palavra amor
Que não existe na sua essência escrita, falada,
O amor sente-se como janela aberta
Num quarto onde as almas descansam.
A palavra dor é um mito,
A dor não é real,
Somente quando nos magoamos sabemos o que é dor,
É um sinónimo de mágoa,
É, pois uma forma de intelecto,
Apreensão do mistério da forma
Que a palavra encerra em si mesma.
A palavra é o silêncio falado em nós,
É a leitura de câmbios alfabéticos,
Nervos que estruturam corpos ausentes.
Palavras que ecoam no sentido,
A ilusão de assunto,
A palavra é demente de si mesma,
Palavras comem palavras,
Copulam significados,
Geram filhos, ventos, vencimentos,
Sofreguidão de cor, tema de gestos,
São como águia voando no céu,
Planando em busca do sonho.
São tudo o que ambiciono.
Carne de ideia,
Madrugada de palavra amor
Que não existe na sua essência escrita, falada,
O amor sente-se como janela aberta
Num quarto onde as almas descansam.
A palavra dor é um mito,
A dor não é real,
Somente quando nos magoamos sabemos o que é dor,
É um sinónimo de mágoa,
É, pois uma forma de intelecto,
Apreensão do mistério da forma
Que a palavra encerra em si mesma.
A palavra é o silêncio falado em nós,
É a leitura de câmbios alfabéticos,
Nervos que estruturam corpos ausentes.
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